Após uma série de assaltos e até assassinato, uma parcela dos moradores do Conjunto Pedro Teixeira, no bairro Parque Verde, em Belém, se organizou, juntou dinheiro do próprio bolso e mandou murar, há cerca de um ano, o local. Esta foi a medida encontrada pela população para tentar se livrar dos constantes assaltos. A estrutura de concreto divide a opinião de quem mora no conjunto. Entretanto, a conclusão é a mesma: os assaltos continuam com ou sem muro.
A autônoma Socorro Guedes, 52 anos, relata que há pouco tempo atrás, um assaltante pulou o muro e foi pego pela população. “Alguns moradores não aceitaram o muro. Foi uma luta. Reduziram os assaltos. Mudou pouca coisa. Mínima mesmo. A gente não pode andar com segurança. É assalto de moto, bicicleta. Meu filho foi assaltado perto de casa. Uma vez pegaram um assaltante que tentava pular o muro. Nessa hora pegaram e bateram nele. A gente vive sobressaltado”.
Ela conta que ano passado, a vizinha foi feita refém. “Eles entraram na casa dela, levaram ela como refém, deixaram o marido amarrado. Levaram todos os mantimentos da casa, porque era um restaurante”, diz.
Contra a construção do muro no restante do conjunto, o vendedor Joelson dos Santos, 31 anos, reclama que, com o muro, só há uma rota de saída dos moradores, que é pela frente. Por trás o local permanece aberto. Segundo ele, é pelo final do conjunto que os criminosos entram e fogem.
“Eu não sou de acordo com esse muro porque não adianta nada. O que ia adiantar era o fechamento por trás, que sai no Conjunto Orlando Lobato, Sideral, Sevilha. É de lá que os marginais vêm. Se uma senhora doente precisar ir ao médico à noite, só tem aquela entrada, porque o muro lá na frente fechou as outras possibilidades de sair para a Augusto Montenegro”, afirma.
PRAÇA
Na Praça Central havia um PM box, atualmente desativado. Rondas frequentes e um posto da polícia são os pedidos dos moradores. “A gente precisa de segurança 24h. Horário para abrir e fechar os portões, ronda da polícia. Quando tinha posto da polícia ai, não havia tanto assalto. Pegavam logo e prendiam. Hoje a polícia mal passa por aqui”, diz Joelson.
O comerciante Katuhiki Migiyama sentiu na pele 32 vezes o que é ser assaltado. Em uma delas tomou um tiro. Ao chegar no 30° assalto, investiu em câmeras de segurança, portões e até sirene. Ainda assim, foi assaltado mais duas vezes. Para ele, o muro resolve parcialmente o problema da insegurança. “Não será 100%. Os bandidos conhecem a rota. Eles chegam e assaltam de carro, moto e bicicleta. Acho que isso não vai acabar”, frisa.
A prefeitura e a Polícia Militar foram procurados, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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