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Dificuldades para conseguir uma consulta

Apoiada na muleta, a pensionista Catarina Carvalho, 77 anos, caminhava para fora da Unidade Municipal de Saúde (UMS) do Outeiro com os movimentos limitados pela dor. A senhora precisou vencer a dificuldade de entrar no veículo para que pudesse ser conduzi

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Apoiada na muleta, a pensionista Catarina Carvalho, 77 anos, caminhava para fora da Unidade Municipal de Saúde (UMS) do Outeiro com os movimentos limitados pela dor. A senhora precisou vencer a dificuldade de entrar no veículo para que pudesse ser conduzida até o posto de saúde. Porém, os resultados estão longe dos esperados. “Não tinha ortopedista, vou ter que voltar dia 12 de março ainda pra ver se eu vou conseguir marcar”.

Vivenciados diariamente por centenas de moradores de Belém e da Região Metropolitana, as dificuldades para se conseguir um atendimento de saúde digno foram constatadas pelo Sistema Nacional de Fiscalização do Conselho Federal de Medicina . Dentre as irregularidades constatadas no Pará, o CFM constatou atendimentos médicos que aconteciam debaixo de uma árvore.

Apesar de ter conseguido ser examinada por um clínico geral quando se dirigiu à UMS do Outeiro na manhã da última segunda-feira, a pensionista não conseguiu garantir o cumprimento da recomendação recebida. Diante das dores que se espalham por todo o corpo da paciente, o médico pediu que ela se consultasse com o ortopedista. Procedimento, porém, que a Catarina não conseguiu agendar. “Eu preferia que eu tivesse conseguido marcar logo, né? Porque a gente fica sofrendo, dói tudo”.

A pensionista ainda teve que deixar a unidade de saúde de mãos vazias. Ainda que receitado pelo clínico geral que lhe atendeu, o medicamento necessário para amenizar a dor não estava disponível na unidade. “Ele passou um remédio pra dor, mas não tinha. A gente foi pra pegar aí, mas disseram que não tinha o remédio”, lamentava Catarina. “Vai ter que tirar dinheiro do bolso pra comprar. Uma pessoa que já ganha pouco, vive da pensãozinha que ela recebe”, complementou a filha da paciente, Célia Regina.

Vista do lado de fora, a entrada da unidade de saúde já apontava as condições do atendimento ainda no início do dia. À medida que chegam, as pessoas que buscam atendimento vão se amontoando próximo a porta. Alguns saíam sem solução para os problemas. “Tem dois anos que não tem dentista aqui. Se a gente for depender da saúde, a gente tá ferrado mesmo”, reclamava a artesã Maria de Fátima diante da impossibilidade de agendar uma consulta. “Teve uma época em que o problema era a cadeira do dentista que quebrou, depois não tinha material”.

Ainda que buscasse outra especialidade, a manicure Regina Barbosa não ouviu uma resposta muito diferente na unidade de saúde. “Tô desde o dia nove de fevereiro atrás de consulta com dermatologista aqui e não consigo. O que eles sempre dizem é que tá muito cheio”, irritava-se. “Todo tempo é assim cheio. Eu vim aqui pra pegar um encaminhamento pra consulta com dermatologista e tô voltando pra casa sem nada”.

FISCALIZAÇÃO

Das 952 unidades de saúde fiscalizadas em 2014 pelo CFM no país, 331 tinham mais de 50 itens em desacordo com as normas sanitárias estabelecidas, sendo que 100 apresentaram mais de 80 itens em desconformidade. A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

(Diário do Pará)

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