Que tal morar em uma cidade onde uma das principais unidades de saúde pública para atender a população carente ficou conhecida como “posto cachoeira”, graças às constantes inundações que ocorrem? Esta é a Unidade Básica de Saúde Celina Lameira, em Marituba. E um “posto mágico” então, onde a geladeira virou estante, o freezer virou caixa de correio, a maca virou mesa e a cozinha e o quintal se transformaram em consultório? Assim ficou conhecida a Unidade de Saúde da Família de Paracuri II, em Belém.
Foi desta forma, carregado de ironia, que a reportagem do “Fantástico”, exibida no último domingo, classificou alguns dos 78 postos de saúde visitados pela fiscalização do Conselho Federal de Medicina no ano passado no Pará. A unidade de Paracuri atende, ao todo, 1.200 famílias em consultórios improvisados no quintal exposto a todo tipo de sujeira e insetos.
A reportagem mostrou também a vergonhosa situação do “posto vapt-vupt”, ou seja, o “ligeirinho” que funciona apenas parte do dia. Esta é a situação da Unidade de Saúde da Família Fama, também em Belém, onde 900 pessoas são atendidas mas o horário de funcionamento é só até o meio dia.
Mas uma das piores situações mostradas foi a do Centro de Saúde de Outeiro, apelidado pela reportagem de “posto blindado”. Segundo a matéria divulgada no domingo, os profissionais que trabalham no local já foram agredidos várias vezes pela população local já que a falta de medicação – inclusive a medicação básica – é constante, incluindo o anti-inflamatório infantil.
Um dia depois da divulgação das condições precárias constatadas pelo Conselho em unidades de saúde de Belém, uma equipe em veículo da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) se encarregou de entregar várias caixas com materiais na Unidade Municipal de Saúde de Outeiro no final da manhã de ontem. Ainda que os problemas para conseguir atendimento continuassem sendo denunciados por pacientes, uma faixa também foi instalada pedindo desculpas ‘pelo transtorno’. O levantamento será encaminhado aos secretários estaduais de Saúde e ao Ministério Público Federal.
MINISTÉRIO
Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que desenvolve, há quatro anos, um programa para construção e melhoria de Unidades Básicas de Saúde. O objetivo do projeto Requalifica UBS, segundo a pasta, é firmar parcerias com os municípios para que os gestores locais possam estruturar os postos de saúde e oferecer melhor atendimento à população.
“Desde 2011, quando o programa foi criado, o governo federal já liberou mais de R$ 5 bilhões para que os municípios pudessem construir ou aperfeiçoar 26 mil UBS em todos os estados brasileiros. Dessas, há 24.935 obras em execução, das quais 22.782 estão em andamento ou já foram concluídas”.
Estão em funcionamento no Brasil 40,6 mil UBS. Ainda segundo a pasta, o investimento na atenção básica dobrou nos últimos quatro anos, alcançando R$ 20 bilhões em 2014. “Cabe reforçar que a gestão do SUS é tripartite, com autonomia dos entes federados, e que a implementação das ações e serviços de atenção básica é de responsabilidade direta dos municípios. O Ministério da Saúde co-financia e apoia tecnicamente a execução e desenvolvimento da política nacional desse setor”.
Dificuldades para conseguir uma consulta.
(Diário do Pará)
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