Na porta da delegacia, o olhar profundo da dona de casa Josilene Souza, de 49 anos, esconde a preocupação por não ter onde morar. Sem marido e com três filhos, ela chegou à comunidade Paraíso de Deus, no bairro Aurá, em Ananindeua, apenas com a roupa do corpo. Há quatro semanas morando no local, ela já construiu uma pequena casa de madeira, de apenas um cômodo, e, se desespera ao pensar em perder o seu teto.
“Na minha casa ninguém tem emprego de carteira assinada. Nós apenas trabalhamos com bicos. Fazemos vendas de lanche, de bijuterias, e do que aparece. O nosso dinheiro, só dá pra comprar a comida do dia a dia, mas que isso não”, lamentou a dona de casa. “Nossa casa é pequena, e não temos nem banheiro, usamos o dos vizinhos, mas não queremos e nem podemos sair dela. Não temos onde morar, e não vamos deixar a polícia nos tomar o pouco que é nosso”, afirma.
O pastor Cláudio Barros é um dos primeiros ocupantes do assentamento, há 14 anos, e diz que irão lutar contra a reintegração de posse. “Fazemos parte do conjunto Mariguela, esse terreno estava abandonado, e o ocupamos. Vamos entrar com o recurso pedindo para o desembargador que não permita, pois, essa decisão vai deixar quase 200 pessoas na rua”, disse o coordenador.
A prefeitura Municipal de Ananindeua, através da Procuradoria Geral do Município, informou em nota que a Prefeitura de Ananindeua ingressou com uma ação de reintegração de posse em agosto de 2013. A liminar já foi deferida e confirmada com sentença. “A PMA esclarece ainda que desde o início da ação tentou diversas negociações com os ocupantes para solucionar a situação de forma amigável e pacífica, esgotando todas as possibilidades de acordo. Foi oferecido à eles o cadastramento no programa “Minha Casa, Minha Vida”, contudo eles não aceitaram”, completou a nota.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar