Na manhã de ontem, os moradores da comunidade Paraíso de Deus, no Aurá, bloquearam as duas pistas da rodovia BR-316, em frente ao prédio da prefeitura municipal de Ananindeua. O motivo que gerou o protesto foi uma decisão da justiça que determina a desapropriação do assentamento.
O ato iniciou às 4h30. Duas horas depois, os manifestantes liberaram o tráfego de veículos, na pista de entrada da cidade. Por volta das 7h30, com a chegada de homens da Ronda Tática Metropolitana (Rotam), as duas vias da BR-316 foram liberadas. Policiais entraram em conflito com os protestantes, usando bombas de efeito moral, bala de borracha e gás de pimenta.
Na ação, alguns manifestantes tiveram os celulares destruídos pelos policiais. Um jovem foi agredido no estômago e, carregado, foi levado para o camburão da viatura. Um homem que estava com uma criança nos braços, foi empurrado pelos policiais. Os PMs puxavam o manifestantes, enquanto que um agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentava pegar o meninos que chorava e pedia pelo pai.
Na tentativa de dispersar o bloqueio, uma senhora com um bebê de colo, também foi agredida pelos policiais. Nem a imprensa escapou das agressões. O radialista Toni Gonçalves, das rádios 99 FM e Clube, teve o celular tomado pelos homens da Rotam, no momento que entrevistava um manifestante ao vivo para um programa na TV.
“Estamos aqui para cobrar da prefeitura de Ananindeua uma providência. Queríamos falar com o prefeito, mas ele não nos atendeu, e mandou a PM nos tirar à força do meio da rua. Estamos pedindo um direito que é nosso, e fomos tratados como bandidos, e não somos. Eles machucaram mulheres, crianças, e três pessoas foram presas, sendo que uma é menor de idade. Isso é um absurdo. Queremos que a justiça seja feita”, disse Claudio Barros, coordenador do movimento.
Ao final, os manifestantes se aglomeraram na calçada da prefeitura de Ananindeua com as faixas de protesto em que reivindicavam o direito de moradia digna, o que ocasionou a liberação das vias. Por causa da interdição, um grande engarrafamento se formou ao longo da BR-316, e nas vias que davam acesso à entrada e a saída de Belém.
As pessoas detidas foram encaminhadas à delegacia de Ananindeua, para prestar depoimentos, mas logo foram liberadas. Na porta do local, os familiares, com faixas pedindo por moradia, também questionaram a prisão. “Nós só vamos sair daqui quando todos saírem. Ninguém é bandido para ficar preso. Não temos para onde ir, e queremos nossa casa. Queríamos falar com o prefeito, só isso”, comentou a dona de casa Rosa Moraes.
Em nota, a PM informou que a ação dos policiais está prevista nos procedimentos de Controle de Distúrbios Civis (CDC) e que tudo foi registrado em vídeo pela PMPA, como é realizado regularmente, para fins de avaliação, apuração de procedimentos, registro e outras providências. A polícia informou ainda que disponibiliza a Corregedoria Geral para os casos de denúncias.
Famílias prometem lutar contra despejo.
(Diário do Pará)
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