A prisão do ex-policial militar Otacílio José Queiroz Gonçalves, o “Cilinho”, no dia 9 de fevereiro deste ano, daria um reforço às investigações, uma vez que ele é acusado de participação em grupos de extermínio e estaria envolvido até o pescoço na matança de 5 de novembro de 2014. “Cilinho”, por ordem do juiz em exercício da 1ª Vara de Inquéritos Policiais e Medidas Cautelares, Flávio Sanchez Leão, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma, no bairro do Guamá, quando dançava em uma festa. “O autuado representa ameaça à ordem pública, uma vez demonstrada a sua periculosidade pela situação em que foi detido, sendo que foi preso em razão de mandado de prisão temporária desta vara especializada por fortes indícios de participação em milícia que pratica crimes de homicídio nesta cidade”, afirmou o juiz no decreto de prisão.
O problema é que o ex-militar, que continua preso, não colaborou com as investigações como os delegados esperavam, negando qualquer participação nas onze mortes.“Cilinho” chamou de “boatos” as informações de que teria matado inocentes nos bairros do Guamá, Terra Firme, Jurunas e Tapanã. “Já matei bandidos, sim, mas em confronto, quando era militar”, explicou, descartando, no entanto, a participação em milícias. Na verdade, ele só foi preso por insistência da Corregedoria da Polícia Militar, que tenta limpar o nome da instituição nesse massacre cuja repercussão ganhou manchetes dentro e fora do Brasil.
Se dependesse de policiais civis que estavam na festa em que “Cilinho” foi preso, de acordo com afirmação de um militar que prefere não revelar sua identidade, o acusado ainda estaria solto. O decreto de prisão dele ficou dez dias emperrado nas mãos da Polícia Civil, sem que houvesse empenho em cumpri-lo, segundo o militar.
Os depoimentos das testemunhas no inquérito conduzido pelos seis delegados dão pistas para a polícia chegar aos criminosos, embora nenhuma delas tenha visto o rosto de quem atirou. Os militares da Rotam, se quisessem colaborar de fato, poderiam revelar as identidades dos autores dos tiros, pois as filmagens em poder da polícia mostram o momento em que os matadores, armados, conversam com integrantes da Rotam, que depois se retiram de um dos locais. Em seguida, ouvem-se tiros.
(Diário do Pará)
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