Diversos movimentos sociais em defesa dos direitos da mulher reuniram na manhã de ontem, quando foi comemorado o Dia Internacional da Mulher, e seguiram em caminhada, que partiu da Escadinha na Estação das Docas em direção à Praça da República, em Belém. Em ritmo de batucada e com o apoio de um trio elétrico, os participantes cobravam o fim da discriminação e da violência em todas as suas formas, além da efetivação de políticas públicas em prol das mulheres no Pará, como saúde pública integral, a construção de creches públicas e o aumento da participação feminina na política.
Com o slogan “08 de Março: É dia de Luta” e cartazes que diziam “No Dia 8 de Março Não Dê Bombom Nem Presentinhos, Dê Respeito” e outros como “Mais Mulheres na Política: Constituinte já!”, “Basta de Violência Contra Mulheres. Mulher Não se Cale, Lute!”, os participantes tinham como objetivo mostrar que muito ainda precisa ser feito para que o sexo feminino tenha seus direitos assegurados.
Uma das coordenadoras do movimento, Domingas de Paula Martins, disse que o principal objetivo ir para as ruas é reafirmar que a luta pela política das mulheres continua. “Hoje é um dia nacional de luta pelo fim da violência contra as mulheres. Temos que fazer com que a sociedade se sensibilize. A questão da violência é um problema social no mundo inteiro e nós queremos um basta na discriminação, na desvalorização e no desrespeito. A mulher sofre com a violência na rua, na escola, no trabalho. Em todo lugar ela é violentada. Queremos que a sociedade nos veja como parte dela e que seja mais justa”, afirma.
Integrante do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, ligado a uma articulação nacional feminina, Nilde Souza, explicou que o Pará figura na terceira posição entre os Estados com mais registros de violência contra a mulher. A constatação foi feita, segundo ela, pela CPI da Violência Contra a Mulher. O fórum pretende encaminhar um projeto para o governo federal que visa a prevenção da violência voltado para a região do Marajó.
“Lá há um silêncio sobre esse problema por parte de quem sofre e também por parte dos órgãos públicos. A ideia é fazer oficinas de combate à violência contra a mulher e formar agentes multiplicadores, pois é uma região de coronéis, onde as mulheres têm muito medo e há um grande índice de violência contra adolescentes”, disse.
De acordo com Nilde, quase 99% dos 144 municípios paraenses não inclui no planejamento de gestão políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. “É absurdo termos um grande índice de câncer de colo de útero, que é mais fácil de prevenir, basta fazer um exame preventivo. Não adianta gastar rios de dinheiro em alta complexidade se eu posso investir na rede de atenção básica, na prevenção”, ressalta.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar