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Debate lembra morte de aluno

O campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), às margens do rio Guamá, foi cenário de uma das muitas tragédias promovidas pelo regime militar nos anos de chumbo da ditadura, que durou mais de duas décadas e resultou em histórias de perseguições, exílio

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O campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), às margens do rio Guamá, foi cenário de uma das muitas tragédias promovidas pelo regime militar nos anos de chumbo da ditadura, que durou mais de duas décadas e resultou em histórias de perseguições, exílios, torturas, mortos e desaparecidos. Na manhã do dia 10 de março de 1980, o semestre letivo iniciava com a aula da disciplina Estudos dos Problemas Brasileiros (EPB), a equivalente, no ensino superior, à Educação Moral e Cívica do antigo segundo grau (hoje médio).

O tema da aula? “Violência e porte de arma”. Na Fb-2, do pavilhão F, no campus básico, o discente de Matemática César Moraes Leite assistia à aula quando foi surpreendido por um disparo fatal. César foi atingido por uma arma carregada que estava em poder do agente da polícia federal identificado nos registros oficiais como Dalvo Monteiro de Castro Junior que assistia às aulas como agente da repressão e tinha missão de vigiar os estudantes em sala de aula.

A arma caiu acidentalmente e a bala atingiu César que sentava na carteira à frente.O episódio causou comoção na cidade e escancarou o que há muito já se comentava no campus. A temida Assessoria de Segurança e Informação (ASI) mantinha agentes infiltrados na instituição. A certeza serviu de combustível para o movimento estudantil e alimentou uma série de protestos que tiveram o objetivo de retirar a ASI da instituição.

Símbolo da luta pela liberdade de expressão e livre manifestação do pensamento na maior instituição de ensino superior do Norte do País, a morte de César vai ser lembrada hoje com a mesa redonda “Ditadura Militar às Margens do Rio Guamá: 35 anos sem César Moraes Leite”. O evento marca a Semana do Calouro de Comunicação Social, que segue até o dia 13 de março.

A escolha do tema não foi por acaso. Hoje o pavilhão F abriga os cursos da área de comunicação. O evento terá a participação da professora Edilza Fontes, da Faculdade de História do professor João de Jesus Paes Loureiro, um dos perseguidos pelo regime.A Mesa redonda de hoje é só início de uma ampla programação que se estenderá até 1º de abril, data em que serão lembrados os 51 anos do golpe militar de 1964 quando os militares depuseram o governo civil do presidente João Goluart e assumiram o poder, suspendendo as eleições, impondo a censura aos veículos de comunicação e perseguindo os adversários do regime.

COMISSÃO DA VERDADE

O Brasil demorou a enfrentar sua história. Só a partir de 2012 começaram a surgir as comissões da verdade para ouvir os relatos das vítimas do regime e investigar os crimes cometidos pelos militares nos anos de ditadura. No mesmo ano, o Ministério da Educação criou a sua comissão e pediu auxílio das universidades.No Pará, a UFPA criou o projeto “Anos de Chumbo”, coordenado por Edilza Fontes. A análise de documentos levou a uma comissão da verdade que identificou mais de 20 professores, alunos e servidores perseguidos pelo regime com a conivência das autoridades da instituição.

CÉSAR LEITE

Em 2013, o projeto deu origem à Comissão da Verdade batizada de Comissão “César Leite” de Memória e Verdade. Após dois anos de trabalho, consulta a documentos e a gravação de dezenas de depoimentos, o trabalho vai culminar com um desagravo formal às vítimas do regime. “Houve violação de direitos humanos na universidade durante a ditadura com a conivência ou omissão de autoridades da instituição”, diz Edilza Fontes. A Comissão vai criar também um memorial no Bloco F, onde César foi assassinado para lembrar os anos de chumbo.

(Diário do Pará)

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