O abandono das Unidades de Saúde do Programa Estratégia Saúde da Família (ESF) será relatado em um documento a ser enviado à Secretaria Municipal de Saúde de Belém ainda esta semana.
A decisão foi tomada ontem à noite durante a reunião dos médicos do programa com o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). A reunião ocorreu com o objetivo de colher dados para a elaboração do documento. Segundo o diretor do Sindmepa, João Gouveia, são vários os problemas enfrentados pelos profissionais ligados ao ESF.
O maior deles é o abandono físico das unidades, que sofrem de mazelas estruturais que vão desde a falta de equipamentos básicos até a ausência de medicamentos utilizados durante o atendimento médico.
“Na última unidade de saúde que visitamos, os médicos levavam remédios de primeiros socorros de casa porque no posto não tinha”, diz Gouveia.
A extensa pauta de reivindicações consta, ainda, de reclamação sobre a falta de segurança aos médicos e servidores do ESF. Segundo o relato dos médicos, os assaltos às unidades são constantes.
Segundo uma médica que não quis de identificar, na última segunda-feira, dois suspeitos andavam armados por volta das 14h30 em frente a uma unidade de saúde do ESF no bairro da Marambaia.
Com medo, os médicos só deixaram o local após acionarem a polícia. Durante as visitas às residências dos moradores, as ameaças de assalto também são constantes.
A categoria quer negociar também questões trabalhistas, como a isonomia salarial dos médicos do ESF, que recebem em média R$5.500, com os médicos dos programas Mais Médicos e de Valorização da Atenção Básica (Provab), cuja remuneração é de R$10 mil.
“Vamos cumprir todos os prazos para dar à prefeitura a oportunidade de dialogar com a categoria. Se não adiantar, discutiremos nos próximos dias a deflagração da greve no ESF”, informou Gouveia.
(Diário do Pará)
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