Contrariando a lista de pelo menos 198 pacientes que aguardam para fazer hemodiálise pela rede pública de saúde, em todo o Pará são disponibilizados apenas 24 serviços de nefrologia, entre os oferecidos por clínicas conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS) e hospitais públicos.
Comemorado na última quinta-feira, o Dia Mundial do Rim chama a atenção para um problema grave que vem sendo enfrentado no Pará por quem depende de uma máquina para continuar vivendo, a insuficiência dos serviços de hemodiálise no Estado.
Para a diretora da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará (ACRT-PA), Belina Soares, a estimativa de espera pela hemodiálise pode ser ainda maior se considerados os pacientes que ainda não se encontram em condição de urgência, mas que também precisam do tratamento. “Esses 198 que esperam no Pará são apenas o que estão precisando com urgência, mas tem mais porque ainda há os que estão precisando fazer hemodiálise para não chegar no quadro crônico”, aponta. “Hoje no Pará não temos vagas de hemodiálise para pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Temos vagas apenas em hospitais privados e planos de saúde. Com tantas pessoas necessitando do tratamento, não entendo porque a secretaria municipal de saúde não viabiliza que as pessoas façam o tratamento pelo SUS nessas vagas em hospitais privados”.
Exercendo a função que os rins já não são capazes de fazer, a hemodiálise é fundamental para a manutenção da vida dos pacientes que possuem Doença Renal Crônica (DRC). Quando diagnosticados nesse estágio, a única saída para tais pacientes é a hemodiálise ou o transplante, serviço que também enfrenta dificuldades no Estado.“O paciente crônico tem um diagnóstico que é pro resto da vida. Só o transplante é capaz de solucionar o problema dele. O grande problema enfrentado na região é a demanda muito grande pela falta de transplantes”, aponta Belina. “O paciente entra nessa condição e acaba saindo, infelizmente, apenas após a morte porque o transplante é muito difícil”.
EM CASA
No caso das doenças renais crônicas, o Ministério da Saúde preconiza que o paciente faça o acompanhamento da doença em casa. A necessidade de ir ao hospital ou à clínica é apenas nos dias marcados para fazer as sessões de hemodiálise, que geralmente duram 4h e são realizadas três vezes na semana.
Segundo Belina Soares, porém, há casos no Estado em que os pacientes precisam continuar ocupando leitos em hospitais públicos porque não há vagas disponíveis para o tratamento ambulatorial de hemodiálise. “No Hospital de Clínicas tem 33 pacientes já com alta, que já poderiam estar em casa fazendo o tratamento ambulatorial [em que o paciente se dirige ao hospital apenas nos dias marcados para as sessões de hemodiálise], mas que estão internados, ocupando leitos pra continuarem fazendo a hemodiálise porque não tem vagas para o tratamento ambulatorial”, aponta, ao reforçar que o problema também é vivenciado em outro hospital. “No Hospital Ophir Loyola, dos 35 pacientes renais crônicos que estão fazendo acompanhamento, 20 já poderiam receber alta se houvesse vaga no tratamento ambulatorial”.
(Diário do Pará)
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