Para além das desconfianças geradas pela caixa-preta em que foi confinada pelos governos tucanos a desastrada operação de venda da distribuidora de energia elétrica, existem numerosos outros malefícios associados ao negócio – ou à negociata. A começar pela escalada de reajustes tarifários que mantêm asfixiado o consumidor paraense.
Como já foi dito, para uma inflação inferior a 5% nos últimos sete meses, o custo da energia elétrica já subiu nesse período mais de 40%. Alguém, talvez por desatenção, poderá pensar que apenas se está atualizando as tarifas. Não se trata disso, muito pelo contrário. Em agosto do ano passado, quando se deu a última equalização tarifária, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fez as contas e levou um choque.
Desde a privatização da Celpa até aquela data, apurou o Dieese, a inflação acumulada estava na casa de 161%. Pois no mesmo período, a tarifa de energia registrava crescimento da ordem de 285%. Fica patente, portanto, que a privatização – ao contrário do que alardeava o governo, antes da venda da Celpa – teve como consequência direta o aumento de tarifas, numa escala que já causa pesadelos à massa de consumidores.
Outro efeito perverso foi registrado na questão do emprego. Antes da privatização, o governo tucano vendeu, por meio de um discurso até enfadonho, que a empresa, ao passar para controle privado, iria se fortalecer, ampliar investimentos e gerar novos empregos. Pois ocorreu justamente o contrário: a Celpa, sob o controle do Grupo Rede, demitiu aleatoriamente seus profissionais mais experientes e qualificados.
DECLÍNIO
Adotando uma política de terceirização exacerbada e inconsequente, passou a utilizar equipes com sofrível conhecimento de sua estrutura. O resultado foi uma queda brutal de qualidade dos serviços, penalizando duplamente os consumidores – que passaram a pagar mais caro do que antes por uma energia de qualidade muito inferior.
Os anunciados investimentos também não aconteceram, muito pelo contrário. O Grupo Rede, como um todo, e a Celpa, em particular, passaram a enfrentar crescentes dificuldades financeiras. Levada à falência, a distribuidora paraense de energia trocou de mãos mais uma vez no dia 1º de novembro de 2012. Ela, que 14 anos antes fora vendida pelo Estado por valor equivalente a US$ 450 milhões, teve seu controle transferido para a Equatorial Energia pelo valor simbólico de R$ 1. E não é deboche, embora pareça!
(Diário do Pará)
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