Outra investigação em curso no Supremo Tribunal Federal contra o “pizzaiolo” da Câmara é o inquérito que apura indícios de irregularidades no repasse de recursos para Organizações não Governamentais (ONGs) e fundações. A Polícia Federal também atua neste caso e apura se estas entidades beneficiadas com dinheiro público estariam ligadas ao gabinete do parlamentar.
Entre os fatos denunciados no Inquérito 3884 está a compra de uma luxuosa cobertura, na rua Xavier da Silveira, nº 28, em Copacabana, no Rio de Janeiro, por Lucimar da Costa Rabelo, mãe do Wlad. O imóvel custou R$ 2,35 milhões.
O DIÁRIO se antecipou às investigações da Polícia Federal e foi ao Rio de Janeiro. Lá comprovou que a escritura de compra e venda do imóvel foi lavrada no 14º Cartório de Ofícios de Copacabana, e assinada pelo próprio Wladimir, que insiste em negar a existência do imóvel.
SOMA NÃO DECLARADA
Wlad esteve pessoalmente no Rio, no dia 8 de agosto de 2013, e assinou a escritura como procurador da empresa YC & LR Comércio e Serviços Ltda, criada em nome de Yohran Christie Braga da Costa, de 19 anos, filho mais velho de Wladimir e de sua mãe, Lucimar da Costa Rabelo.
Wladimir levou para o Rio de Janeiro R$ 650 mil em espécie, e usou de sua influência como parlamentar para passar com a quantia sem ser flagrado. O valor complementou a entrada de R$ 800 mil, que já havia sido paga também em espécie, sem contabilidade, sem registro na Receita Federal.
O apartamento 1.101 é o único duplex do prédio que fica a uma quadra da luxuosa Avenida Atlântica, um dos metros quadrados mais caros do mundo.
O DIÁRIO comprovou junto à Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro a autenticidade da escritura do imóvel adquirido com recurso não declarado. O Selo Cartorário é autêntico e a responsável pelo pedido de registro é a tabeliã Concelina Henrique de Souza, responsável pelo Tabelionato do 14º Ofício de Notas. A autenticidade da escritura de compra e venda também foi confirmada pelo cartório.
ATO FALHO
As investigações realizadas pelo DIÁRIO foram encaminhadas para os responsáveis pelas apurações sobre o envolvimento do deputado federal Wladimir Costa em crime de peculato (crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral).
Na última quinta, 12, em mais uma tentativa de intimidar os jornalistas que apuram os processos e denúncias contra ele, Wladimir telefonou para um dos repórteres e, em um ato falho, acabou confessando ser o proprietário da cobertura da rua Xavier da Silveira, em Copacabana. A gravação também foi entregue aos responsáveis pelas investigações.
(Diário do Pará)
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