Há também que se considerar que, ao abrir mão do controle de uma empresa pública num setor vital, transferindo-a para a iniciativa privada, o governo tucano do Pará se desfez também da prerrogativa de nortear e direcionar suas ações em benefício da sociedade, já que a Celpa, passando a perseguir o lucro, perdeu na sua quase totalidade a função social.
O governo do Pará também poderia ter minorado, há muito tempo, as aflições da população sufocada pelo custo exorbitante da energia elétrica. Seria justo que o fizesse, até para se redimir do mau passo dado na privatização. Bastaria, para isso, reduzir a alíquota do ICMS incidente sobre a energia elétrica, que é hoje de 25% - chegando eventualmente a 32% -, a mais cara do Brasil.
O governo não só mantém inalterada essa alíquota escorchante como ainda ganha dinheiro com mais impostos a cada aumento da tarifa de energia elétrica.
Hoje é essa a conta que os paraenses estão pagando. A conta salgada da irresponsabilidade de governantes, materializada numa transação nada transparente, em que sobrou esperteza e faltou escrúpulo.
(Diário do Pará)
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