Belém é uma das 18 capitais brasileiras que estão em estado de alerta contra a dengue, segundo o Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypti – LIRAa, elaborado pelo Ministério da Saúde, em Brasília.
Nos primeiros três meses de 2015, segundo o novo mapa da doença, foram notificados 1.396 casos de dengue no estado do Pará, sendo confirmados 226. Até o dia 7 de março, os casos chegaram a 1.443, gerando uma incidência de 17,8%. Em 2014, no mesmo período, foram 1.225, segundo o estudo divulgado.
Para o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso, a situação da capital paraense é classificada como médio risco, mas segundo ele, não houve aumento da doença, mas uma elevada incidência do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. “O que aumentou 17% foi no índice do mosquito. E isso não foi no Estado, mas na Região Norte”.
Bernardo Cardoso responsabilizou os gestores municipais pelo aumento dos casos de dengue e disse ainda que faltam competência e pessoal para trabalhar no controle dos focos da doença.
“É preciso que tenha responsabilidade dos municípios. Hoje, Belém necessita de mais de mil funcionários. Estão faltando 60% de funcionários na rua para trabalhar. É uma irresponsabilidade dos gestores e seus secretários municipais porque não fazem as coisas como se devem. Belém é uma cidade suja, deveria ser limpa. 90% do Aedes, transmissor da doença, nascem dos lixões. Se eles pelo menos diminuíssem, tivessem um local adequado para colocar o lixo, tivessem uma coleta adequada; as secretarias de Infraestrutura, de Obras e de Educação fizessem o manejo do lixo correto, a gente não estaria nessa situação”.
O lixo e as poças de água suja favorecem a proliferação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. Prova disso é que segundo o estudo, os criadouros na Região Norte foram encontrados predominantemente no lixo, gerando um índice de 48,2% na frente de outros elementos pesquisados, como: depósitos domiciliares (27,3%) e armazenamento de água (24,5%).
A água empoçada, o crescente acúmulo de lixo e mato tomam conta de uma parada de ônibus localizada na Rua Yamada, no Tapanã, em Belém. Um cenário totalmente favorável para a proliferação do Aedes. Completamente abandonado, o local é motivo de reclamação de muita gente. A costureira Socorro Lobato, de 53 anos, disse que toma todos os cuidados em casa contra a dengue, mas o abandono da área é desanimador.
“Ninguém mete os pés na água, com medo de contrair doenças. O lixo domina todo o espaço, e os mosquitos se proliferam à vontade”. O professor Iramar Vieira, de 29 anos, relata que o acúmulo de entulho é uma constante na frente de sua casa. “Nunca teve manutenção nas ruas. Desde criança eu vejo a minha rua alagada. Eu cresci vendo as ruas em péssimas condições e as águas empoçadas beirando a parada de ônibus. Certamente existem muitos criadores de mosquito da dengue aqui e não podemos fazer nada”, comentou Iramar Vieira.
A pesquisadora do Instituto Evandro Chagas (IEC), Consuelo Silva de Oliveira, diz que a falta de saneamento é um fator que agrava a proliferação de dengue.
“À medida que você melhora a situação dos esgotos e uma oferta de água mais adequada, eliminando o reservatório de água, você diminui os casos de dengue. O mosquito também se adaptou. Agora não é mais somente a água suja o criadouro ideal para a sua proliferação”.
De acordo com Orliuda Bezerra, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Sesma, os bairros com maior ocorrência de casos confirmados de dengue em 2015 são: Barreirro, Guamá, Mangueirão, Paracuri, Pedreira e Sacramenta.
Casos notificados até 7 de março (Semana epidemiológica 9) - Incidência (casos por 100 mil habitantes)
PARÁ CASOS
2014 -1.225
2015 -1.443
INCIDÊNCIA
2014 - 15,1
2015 -17,8
2- Casos graves, com sinais de alarme e óbitos
PARÁ
2014 Dengue grave - 1
Dengue com sinais de alarme - 3
2015 Dengue grave - 0
Dengue com sinais de alarme - 2
Óbitos confirmados
2014 - 1
2015 - 0
Criadouros por região Norte
48,2% - Lixo
27,3% - Depósitos domiciliares
24,5% - Armazenamento de água
FONTE: LIRAa / Ministério da Saúde
(Diário do Pará)
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