As milhares de pessoas que saíram às ruas do centro de Belém ontem de manhã para participar de um protesto organizado por movimentos populares contra a corrupção e a atual política econômica do país acabaram, no entanto, frente a uma grande marcha que, embora tivesse seus representantes se revezando ao microfone para garantir que ali não havia defensores de partidos, e sim, do Brasil, não bradava mais do que frases como “Fora, Dilma!” e “Fora, PT!”, em meio a xingamentos diversos a atual presidente da República, Dilma Rousseff, e ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
A movimentação começou na Escadinha da Estação das Docas, por volta das 9h, passou boa parte do tempo concentrando manifestantes na Praça da República para, no início da tarde, seguir rumo a Visconde de Souza Franco (Doca), sob a escolta de um número impressionante de policiais militares - de acordo com o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social do Estado, cerca de 850 homens do Comando de Policiamento da Capital (CPC) com o apoio de 31 viaturas e 17 motocicletas, além da Guarda Municipal de Belém, atuaram durante o protesto.
A PM informou que a estimativa era de que entre 20 e 25 mil pessoas tenham comparecido à movimentação. Entidades sindicais, líderes de movimentos da sociedade civil organizada e até da maçonaria eram constantemente citados ao microfone, em agradecimento por participarem do ato.
Cuba, Venezuela, Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), Bolsa Família, intervenção militar, impeachment, eram muitos os cartazes que entornavam o caldo contra a administração do Partido dos Trabalhadores frente ao governo federal.
Da composição de Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores”, um dos manifestantes em cima de um dos trios parodiava “Dilma, vá embora/ o Brasil não quer você”.
“Eu esperava mais, vim para cá para protestar contra a corrupção, mas só vejo as pessoas falando do PT, como se fosse por causa de um único partido essa situação que o Brasil, que o Pará vive.
Não vi ninguém falando, por exemplo, do que aconteceu com a Celpa desde que o ex-governador Almir Gabriel (PSDB, falecido em 2013) a entregou para a privatização”, lamentou a advogada Maria de Fátima Luz, que optou por não vestir o verde ou o amarelo proposto pela coordenação do movimento.
PERCURSO
Perto do meio-dia, quando outros trios começaram a chegar na Praça da República, foi anunciado que o protesto seguiria rumo a Doca pela avenida Nazaré, travessa Quintino Bocaiuva e rua Boaventura da Silva. Uma chuva não muito leve caiu durante o percurso, o que não afugentou os manifestantes.
Quem também acompanhou o cortejo foram os ambulantes, que vendiam desde água, cerveja, churrasquinho e protetor solar a camisas com frases anti-PT e bandeiras com os dizeres “Fora, Dilma, e leve o PT junto” pelo valor de R$ 20.
Mesmo com o estreitamento da Quintino e da Boaventura, a marcha seguiu sem qualquer tumulto do início ao fim, sob a anuência de alguns moradores que ou foram para as portas de suas casas vestindo verde e amarelo ou bateram panela do alto de suas sacadas.
“É agora que esse país vai ser limpo, continuem que está muito bonito”, gritava um manifestante de alto de um dos trios.
(Diário do Pará)
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