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Esperar é o verbo mais usado no PSM do Guamá

Há dois dias O DIÁRIO denunciou mais uma vez o descaso na saúde pública do estado, e o caos que tem sido para a população em busca de atendimento no Hospital Pronto-Socorro do Guamá. 48 horas depois, uma equipe de reportagem do DIÁRIO retornou ao local.

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Há dois dias O DIÁRIO denunciou mais uma vez o descaso na saúde pública do estado, e o caos que tem sido para a população em busca de atendimento no Hospital Pronto-Socorro do Guamá. 48 horas depois, uma equipe de reportagem do DIÁRIO retornou ao local.

Os pacientes permanecem pelos corredores, faltam médicos e os equipamentos estão quebrados. Quem precisou ser transferido, teve que aguardar. Os familiares dos pacientes eram informados que não havia ambulância para desloca-los a outros hospitais.

Deitada em uma cadeira no corredor do PSM, desde as 3h de ontem, a aposentada Odete Barroso, 73 anos, gemia de dores no estomago e enjoo. Segundo os familiares, o médico que fez o primeiro atendimento informou para a filha, Neci Barroso, 57, que Odete teria tido um princípio de um Acidente Vascular Cerebral(AVC).

A idosa precisava fazer um raio X, apresentar ao médico e logo em seguida ser encaminhada ao Hospital das Clínicas. Entretanto, o relógio já marcava 9h30 e não havia ambulância para transferi-la e nem máquina de raio X para efetuar o exame.

Apreensivos com o quadro de saúde da mãe, os filhos esperavam em frente ao HPSM. “Ela tá deitada numa cadeira toda dura. Ela não pode se encostar, senão a cadeira vai abrir. A coluna dela dói muito.

São muitos idosos jogados no chão. Ela devia ter sido transferida, mas não tem ambulância. Eles estão ligando pro SAMU pra fazer a inscrição dela pra quando tiver ambulância disponível eles virem’’, conta Neci.

Denis Barbosa, 32 anos, soube de um lugar que realiza o exame de raio X. A clínica mais próxima e acessível para a idosa cobrava R$ 45. Pelo bem-estar de Odete, a família se preparava para pagar.

“Vamos ter que pagar. A gente fica agoniado e não pode entrar. Nós ficamos apreensivos aqui, porque lá é tudo ou nada’’, diz.

Na mesma situação estava a faxineira Fernanda Alcântara, 33 anos. Ela aguardava do lado de fora notícias da prima, Laise Joiciane Nascimento, 23 anos, com o bebê de três meses.

A fila era grande para atendimento com a pediatra. Segundo Fernanda, a criança aparentava estar com dores no ouvido, na cabeça e febre.

Logo na entrada, Fernanda havia sido informada que não tinha otorrinolaringologista. Antes mesmo de a criança ser consultada, a pediatra adiantou que não poderia fazer muita coisa, ainda mais sem as máquinas necessárias para realizar os exames.

“A pediatra disse que vai medicar, mas que não tem os equipamentos para realizar os procedimentos. Não tem onde fazer raio X na criança. A gente vai ter que ir lá pro PSM da 14. Quando chegamos aqui, logo na portaria, disseram que não tem otorrino. Deviam fechar isso aqui. Tá um descaso na saúde’’, reclama Fernanda.

Nas redes sociais, a faxineira conta que se deparou com uma publicação do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, sobre o que as pessoas achavam da gestão dele. Ela respondeu.

“Eu fui lá e coloquei as fotos daqui desse pronto-socorro e ainda disse o que eu achava...’’, enfatiza.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), mas não teve retorno.

(Diário do Pará)

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