Além de causar prejuízos ao comércio de Moju e região, a demora na reconstrução da ponte também gerou a deterioração de vias alternativas que eram utilizadas pelos moradores da região, como a rodovia dos Quilombolas e a PA-252.
A rodovia dos Quilombolas, por exemplo, liga a cidade de Moju a municípios como o Acará. A estrada possui aproximadamente 50 quilômetros de chão batido e centenas de pessoas moram em comunidades e vilarejos ao longo da rodovia, a maioria descendente de quilombolas.
Com a queda da ponte, a estrada de terra se tornou rota para muitos caminhões, carretas, ônibus e carros pequenos que tentam fugir das filas de espera das balsas. No entanto, o elevado fluxo de veículos, aliado a questões como as chuvas que formam lamaçais em diversos trechos, deixam a rodovia com poucos trechos de trafegáveis.

Estrada de terra batida e pontes de madeira recebem fluxo intenso de veículos pesados desde a queda de ponte sobre Rio Moju. Fotos: Cezar Magalhães/DOL
“Está horrível a situação da comunidade. Lastimável. Moro há 35 anos aqui e, desde dezembro, estamos com a escola municipal fechada. As janelas e carteiras estão quebradas. Muitas crianças estão sem estudar”, comenta o agricultor Cláudio Quaresma, 68 anos.
Cláudio se refere à Escola Municipal de Ensino Fundamental Marinaldo Ferreira de Souza, administrada pela Prefeitura de Moju. Com a paralisação constante nas aulas, a reportagem do DOL flagrou crianças que acabam se deslocando para auxiliar a família na agricultura.
“Os professores não querem trabalhar no local, pelos problemas da estrada, pelo estado da escola, pela dificuldade de locomoção”, conta o agricultor.

Diversas crianças da comunidade ficam sem aulas com situação da Escola Municipal Marinaldo Ferreira de Souza. Fotos: Cezar Magalhães/DOL
SENSAÇÃO DE ABANDONO
“Vivemos esquecidos aqui”, diz o morador Francisco da Silva, 87 anos. A reportagem do DOL encontrou Francisco carregando toras de madeira que serão utilizadas para a produção de lenha. Mesmo com a avançada idade, o idoso anda longas distâncias mata adentro para buscar o material, apenas com a ajuda de um carrinho de mão, e depois transporta a carga em meio à estrada de terra.
Ele é um dos moradores da comunidade Nossa Senhora das Graças, e reside no local há 43 anos. O morador critica a atuação do Governo do Estado e da prefeitura de Moju, que realizam apenas obras paliativas na comunidade. “Sempre sofremos com a situação da estrada, mas isso piorou cada vez mais nos últimos tempos. Quando temos que deslocar alguém da comunidade para um hospital, é uma dificuldade muito grande”, afirma Francisco.

Franciso da Silva, 87 anos, reclama do abandono da comunidade tradicional: condições de rodovia dificultam necessidades básicas. Foto: Cezar Magalhães/DOL
Na rodovia, as pontes de madeira estão sofrendo os efeitos do grande fluxo de veículos. A lama que se acumula nas estradas desgastadas também assoreia córregos e igarapés no local, ainda muito utilizados pela comunidade para atividades como lavar louça e tomar banho.
Além dos problemas de mobilidade, a rodovia sofre com a falta de iluminação durante a noite. Condutores de carros pequenos, motocicletas e bicicletas têm medo de transitar pelo local, já que diversos assaltos foram registrados na via.
(Hélio Granado/DOL)
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