Alheio à repercussão negativa da imagem do Pará, o governador Simão Jatene conseguiu ser destaque, no mesmo dia, nos dois maiores jornais do país, a “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo”, com a nomeação de sua filha, Izabela Jatene, para uma secretaria especialmente criada para ela. A nomeação acontece no momento em que manifestações de rua por todo o país exigem o fim da corrupção, do nepotismo e de outras mazelas da velha política - o que Jatene faz questão de manter no Estado.
Diz a “Folha” que a filha do governador vai receber vencimentos estimados em R$ 21 mil. “A criação da nova unidade [Secretaria Extraordinária de Integração de Políticas Sociais] acontece menos de três meses após o tucano realizar uma reforma para enxugar a máquina estadual”, assinala o jornal paulista, acrescentando que, após ser reeleito, Jatene reduziu os órgãos vinculados ao Executivo de 75 para 55. “As secretarias passaram de 26 para 18”, informa.
O deputado Iran Lima, líder do PMDB na Assembleia Legislativa, entrevistado pelo jornal, declarou que a medida tomada por Jatene não passou pelo Legislativo. Ele tomou conhecimento do fato pelo Diário Oficial. De acordo com o jornal, Jatene argumenta que o novo órgão não implica na criação de um novo orçamento por se tratar de uma secretaria extraordinária.
Em nota, o governo diz que a pasta terá como função “promover o aprofundamento da política de integração dos programas desenvolvidos pela administração estadual que atuam na área social” e que terá apenas sete servidores.
O governador não explicou por que escolheu justamente a filha, quando no Estado há inúmeros profissionais habilitados a exercer a função. Além disso, o DIÁRIO já havia denunciado, em 2013, que parentes do governador tucano como filho, nora, genro, cunhada, ex-mulher e ex-cunhada, estavam empregados em cargos de confiança nos três
poderes.
Acusado pelo jornal de nepotista, o governador reagiu a seu modo, dizendo que estava amparado por lei. Esqueceu-se de dizer, como sempre, que nem sempre o que é legal é mor.
RELEMBRE O CASO
Izabela Jatene e o subsecretário do Fisco Estadual, Nilo Noronha, foram flagrados por um grampo telefônico feito pela Polícia Civil em 2011, e autorizado judicialmente, em que ela, já coordenadora do Pro-Paz, pede a ele que lhe envie por e-mail a lista com as 300 maiores empresas do Estado para que ela possa “buscar esse dinheirinho deles”. A denúncia motivou pedido de CPI na Assembleia Legislativa (AL) proposta pelo deputado Carlos Bordalo (PT) . A CPI está instaurada, porém o PSDB, partido de Jatene, não nomeou seus membros. Nesse caso, caberia ao presidente da AL nomear os mesmo, mas não o fez. O PMDB entrou com mandado de segurança na Justiça para que regimento interno da AL seja cumprido. O desembargador Luiz Neto já solicitou ao presidente da AL informações sobre o caso, para decidir se concede ou não liminar mandando nomear o membros que faltam para a CPI funcionar.
(Diário do Pará)
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