A alta do dólar está fazendo com que viajar ao exterior fique mais caro. Ainda mais caro ficou viajar para a Argentina, até há poucos meses uma opção de diversão mais em conta para o brasileiro.
Esse “inferno austral” é provocado por momentos distintos da economia de Brasil e Argentina, que estão influenciando a cotação das moedas dos dois países.
Enquanto o real perde valor em relação ao dólar devido a incertezas sobre o futuro da economia e dos ajustes da política econômica, a Argentina surfa uma onda de otimismo inesperado, que está produzindo uma inusitada valorização do peso.
Desde o início do ano, a cotação do dólar no mercado paralelo argentino --a cotação que flutua, pois está à margem da administração do governo - caiu 7%. No Brasil, ocorreu o oposto: o dólar subiu 21,5%.
A Bolsa de Valores argentina e os títulos negociados no mercado de renda fixa também passam por um período de valorização. Neste ano, o índice Merval acumula alta de 33%.
“Os mercados estão interessados em financiar a Argentina, como estamos vendo agora”, disse o economista Guillermo Calvo, hoje na Universidade Columbia (EUA).
A valorização reflete a expectativa de que haverá mudanças relevantes na economia do país com o fim do mandato de Cristina Kirchner, em dezembro.
O fim das travas à importação e a unificação das taxas de câmbio do país são algumas das medidas mais esperadas.
A perspectiva do mercado embute a torcida paraque, vença quem vencer, haja um forte afluxo de investimentos estrangeiros para a Argentina, permitindo que o país libere a taxa de câmbio sem sofrer uma excessiva desvalorização do peso. Hoje, o governo tenta administrar esse efeito por meio de restrições à saída de dólares do país.
EUFORIA E CAUTELA
O momento de euforia é visto com cautela pelos economistas mais experientes, como Calvo.
Ele afirma que o próximo governante terá de promover primeiro um choque de credibilidade, haja vista a perda de prestígio da atual equipe econômica nos mercados. Mas as amarras não poderão ser liberadas de uma só vez. Segundo ele, há empresas, que têm pagamentos e remessas a fazer ao exterior, à espera apenas da liberação.
“Se o governo não quiser que saia todo o dinheiro de uma vez só, ele pode definir um prazo em que fique claro quando as empresas poderão fazer isso. Mas não pode ser mais ‘no futuro nós veremos’”, afirmou.
PESO NO BOLSO
Longe do noticiário macroeconômico, a estudante de medicina baiana Larissa Menezes, que cursa o terceiro ano na Universidade de Buenos Aires, sente o efeito.
Se até o fim do ano era possível viver com os cerca de R$ 2.000 que recebe da família no Brasil para morar na Argentina, agora ela diz que precisa trabalhar para complementar renda. “O real valia 5,60 pesos pouco antes da eleição no Brasil, agora está em 3,70. Onde faço câmbio, não estavam nem mais querendo trocar real. Quem já trocou o que precisava para pagar as contas se deu bem.”
(Diário do Pará)
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