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Atravessar o local é teste de paciência e medo

Antes que se alcance o quilômetro 48 da Alça Viária, a recepção aos que chegam fica por conta dos cerca de 1,5Km da fila formada, em sua maioria, por caminhões estacionados. Em direção a Moju e demais municípios vizinhos, a espera dentro das carretas, ôni

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Antes que se alcance o quilômetro 48 da Alça Viária, a recepção aos que chegam fica por conta dos cerca de 1,5Km da fila formada, em sua maioria, por caminhões estacionados. Em direção a Moju e demais municípios vizinhos, a espera dentro das carretas, ônibus e carros particulares pode demorar até oito horas, dependendo das condições. É apenas o início dos transtornos já enfrentados há praticamente um ano .

Apesar de apontadas como alternativa até que se reconstruísse os cerca de 60 metros de ponte destruídos pelo acidente, as balsas que fazem a travessia de veículos e passageiros pelo rio estão longe de garantir uma boa solução para os transtornos.

Acostumado a fazer o trajeto várias vezes no mês para se deslocar de Belém até os municípios de Marabá e Parauapebas, o supervisor de vendas Renato Lopes viu o tempo de viagem aumentar de seis para doze horas desde que a ponte foi interditada. Dependente da balsa para atravessar com o veículo, a espera nas filas para que possa embarcar chega a tomar várias horas do dia. “Teve dia aqui que eu cheguei às 21h e saí só às 2h. Tem fila, então tem que esperar a balsa ir e voltar com todos os carros da frente até chegar a nossa vez”, explica. “É uma dificuldade muito grande. Esse problema aqui era pra ter sido visto de forma emergencial, mas a gente olha para a ponte e vê que está do mesmo jeito”.

Em viagem logo no início da manhã da última sexta-feira, a espera do lado de fora da balsa também se estendeu para o momento de saída do transporte. Desde que o motor é acionado, não são necessários muito mais do que dez minutos para se chegar ao outro lado do rio, já no município de Moju. O problema maior está, porém, na demora enfrentada para que todos os veículos consigam deixar a embarcação.

ATOLEIRO

Encostada, a rampa da balsa é recebida por um amontoado de piçarra e terra. Jogado sobre o chão, o cascalho improvisado não faz muita diferença. Diante do piso instável pelos pedaços soltos de asfalto e pequenas pedras, os pneus dos carros menores ‘patinam’, soltam fumaça e terminam por atolar logo depois de deixarem a estrutura da balsa. Desde a chegada, são necessários 30 minutos – 20 a mais do que os consumidos pela travessia - até que quase todos os veículos tenham conseguido desembarcar. Em meia hora, são quatros os veículos atolados.

Cumprindo o percurso pela primeira vez, o carro onde estava o técnico em eletrônica e refrigeração Luiz Antônio Barros foi o primeiro a ter as rodas afundadas. A caminho de Marabá, a necessidade de pegar a balsa para atravessar era conhecida; a total falta de condições, não. “A maior tristeza é ver o tempo que já passou desde que aconteceu o acidente com a ponte até hoje e tudo continuar assim”, lamentava, ainda na expectativa de ver o colega conseguir desatolar o veículo.

Ainda que pedaços de tábuas fossem colocados sobre as rodas do carro de médio porte, o barulho feito pelos pneus que giravam em vão davam a dimensão da dificuldade. Sem que o veículo conseguisse sair do lugar, aos demais passageiros dos carros que ainda estavam na balsa só restava aguardar e torcer. “Isso porque o carro é um tipo de picape, um carro grande. Imagina se fosse um menor!”.

PREJUÍZO

Dentre os veículos transportados na mesma viagem que a feita por Luiz Antônio, outros dois carros particulares e um ônibus atolaram. “É um sofrimento aqui que não para!”, desabafava o autônomo Bruno Paiva, que trabalha com o transporte alternativo de passageiros na região. “Eu mesmo estou perdendo uns R$100 mil por mês por conta dessa situação aí. Tenho uma frota de vans e agora os passageiros já nem querem mais viajar. Antes a gente ia e voltava de Moju para Belém no mesmo dia, agora não tem como fazer isso”.

Para além da demora e da queda considerável no número de passageiros, Bruno ainda recorda os momentos de insegurança que, por vezes, os motoristas têm que enfrentar. Tendo a ponte quebrada como cenário ao fundo, o autônomo não entende o porquê de tanta demora. “Assaltaram meu carro na fila já uma vez de noite por causa dessa situação. Não tem segurança aqui, não tem nada”, afirma, visivelmente indignado.

DEMORA

Ainda que a avaliação da situação seja feita sem o conhecimento técnico necessário, na visão da dona de casa Maria José Lima, o cenário avistado do rio já poderia estar bastante modificado desde o acidente. Olhando em direção à ponte quebrada, a senhora de 38 anos não consegue ver grande diferença desde o mês de março do ano passado. “Já passou muito tempo, o governo tem tanto dinheiro e não vejo nada de diferente”, observava atenta, enquanto aguardava pelo barco que a levaria para o outro lado do rio pelo custo de R$2. “É um transtorno muito grande. Agora, além de pagar o ônibus, ainda tem que pagar o barco pra atravessar”.

Iniciadas as obras de recuperação da ponte em meados de outubro de 2014, a previsão dada pela própria Secretaria de Estado de Transportes do Estado do Pará (Setran) à época era de que a obra fosse concluída até 15 de fevereiro de 2015. Segundo a secretaria, seria necessário substituir 240 metros de pista da ponte através de seis módulos de 40 metros cada. Já em março deste ano, porém, as ‘placas’ de asfalto continuam penduradas e a diferença observada a olho nu está apenas nas três estruturas de ferro colocadas debaixo da ponte aparentemente para dar sustentação.

(Diário do Pará)

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