Protestos durante todo o dia de hoje devem marcar o “aniversário” de um ano do desabamento do trecho da Alça Viária sob o Rio Moju, uma das principais ligações entre o nordeste do Estado e a região Sudeste.
Associações de trabalhadores rurais, de bairros, de caminhoneiros e moradores da cidade de Moju prometem se reunir em frente ao porto que recebe e desembarca as balsas, inclusive paralisando esse tráfego, como uma forma de chamar a atenção para a demora nos reparos da ponte e as consequências negativas disso principalmente para a economia local.
A bancada do PMDB no legislativo paraense e ainda outros deputados ligados à oposição participam do ato, que deve juntar pelo menos duas mil pessoas.
O desabamento de cerca de 100 metros da extensão da ponte, na altura do quilômetro 48 da Alça Viária, ocorreu após um dos pilares da obra de arte ser atingida por uma balsa transportadora na noite de 23 de março do ano passado.
De lá para cá, o Governo do Estado já deu vários prazos para a conclusão dos trabalhos de reconstrução da estrutura, o mais recente deles, em fevereiro último, prometeu para o final desse ano a solução definitiva para o problema.
“Enquanto isso, a economia local padece, e os moradores também. O Governo do Estado precisa reconhecer e agir de acordo com suas responsabilidades. Já soubemos que a seguradora ligada ao acidente pagou cerca de R$ 14 milhões reais ao Estado pelo prejuízo, o que significa algo em torno de 35% do valor da obra, orçada em R$ 37 milhões”, informa o líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Iran Lima.
“A estimativa é de que, nesse um ano, o governo tenha gasto cerca de R$ 18 milhões providenciando as travessias de balsa gratuitas, é quase a metade do custo total do reparo! Os fornecedores dessas balsas estão lucrando às pampas e não têm interesse, obviamente, em ver essa ponte refeita”, alfineta Lima, dando a entender que pode existir uma falta de vontade política em resolver a situação.
“No início, o governador Simão Jatene disse que tudo estaria consertado em três meses. Quando passou 30 dias do estouramento desse prazo, ele falou que em setembro, antes das eleições, a ponte estaria refeita. Na véspera do pleito, a informação já era outra: de que no final do ano tudo estaria resolvido. Passou a eleição, o silêncio foi total”, continua.
“Em uma rede social, o governador postou, em fevereiro, que houve uma reavaliação, e de que seriam dez meses para a conclusão das obras, ou seja, a nova previsão é para o final de 2015. Essa mensagem foi publicada logo após o carnaval, creio que para responder a oposição, que fez essa cobrança durante a leitura da mensagem do governador na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa”, acrescenta o parlamentar. Ele afirma ainda que já há uma situação de desabastecimento no município, e que os preços aumentaram em tudo. “As madeireiras estão cobrando 30%, 40% a mais por conta dos custos com a travessia. Os carregamentos de gado reduziram de dois para um por dia, porque de balsa é bem mais lento. O percurso Belém-Moju, que antes se fazia em duas horas, hoje se faz em três, quatro. Se for carro particular! De caminhão pode durar até oito horas”, expõe.
Segundo o Governo do Estado, em matéria da Agência Pará, operários da empresa de engenharia responsável pela reconstrução da ponte, já começaram a montagem do A-Frame, equipamento desenvolvido especialmente para a retirada das “línguas” de concreto, que estão penduradas desde a colisão.
A primeira parte do equipamento chegou no final da noite de quinta-feira (19), três dias depois de ter saído de São Paulo. O trabalho de montagem teria terminado ontem. na contenção da sobrecarga gerada durante a retirada das “línguas” de concreto.
A ferramenta, desenvolvida para uso exclusivo nessa segunda etapa de reconstrução da ponte, tem capacidade para sustentar cargas superiores a 200 toneladas.
(Diário do Pará)
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