Com o objetivo de esclarecer a sociedade e romper com qualquer barreira de preconceito, dezenas de famílias participaram na manhã de ontem da “1ª Caminhada Down”, quando foi lembrado o Dia Internacional da Síndrome de Down.
O evento foi realizado na Praça Batista Campos, em Belém. A ideia da caminhada surgiu durante conversas entre diversos grupos do aplicativo WhatsApp que reúnem mães que têm filhos com Down.
Com faixas e camisas personalizadas e o apoio de um carro-som, as famílias falavam sobre a necessidade de não estigmatizar as pessoas que têm a síndrome, ressaltando que há muitos avanços, mas que ainda falta bastante esclarecimento sobre o assunto em todas as áreas da sociedade. Entretanto, eles estavam ali para mostrar que os portadores de Down não devem ser tratados como pessoas diferentes.
Grande paixão da vida da irmã Amanda, 10, o pequeno Márcio de três anos é um exemplo de criança portadora da síndrome que leva uma vida completamente normal.
Ele estuda, brinca e tem até seus momentos de tolice. “Faço parte de um grupo de 33 mães, no WhatsApp, e, de vez em quando, nos reunimos, a gente faz passeios e agora, na Páscoa, faremos troca de ovos. Descobri no dia do nascimento que ele tinha Down. Foi um susto muito grande e confesso que tem muito profissional que não sabe passar para a gente como realmente são as coisas. E hoje mostra que é tudo igual, claro, a gente vive em constante estímulo”, disse a mãe do Marcinho, como ela chama carinhosamente, a médica Maria Leonor Magalhães, 39.
A mãe conta que o Marcinho é a alegria da família. “Ontem até li uma frase que diz ‘quando eu nasci, mamãe não sabia o que fazer comigo. Hoje ela não sabe o que fazer sem mim’ e é assim que a gente sente. A nossa preocupação é que ele cresça um menino saudável e com autonomia.”, garante.
Para o pai de Maitê, de um ano e onze meses, o militar Dener Rodrigues, 42, o que não pode é existir limitação, principalmente, no seio da família.
“A gente passa a procurar informação quando temos uma criança com a síndrome. Mas não levei nenhum susto porque eu sei que não é doença, sei que tem uma limitação, mas a qualidade de vida deles depende do estímulo que vamos dar no começo. A Maitê faz fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, então ela está o tempo todo sendo estimulada”, garante.
BARREIRAS
De acordo com uma das organizadoras do evento e mãe de Lucas Souza, 4, a professora Virginia Souza, 47, os cuidados e estímulos devem iniciar desde cedo.
“Às vezes o Q.I de uma criança com a síndrome pode ser até maior do que de uma dita normal. Me tornei uma pessoa mais tolerante com o próximo porque todas as pessoas têm dificuldade em alguma coisa. Isso foi o que mais me tocou. Na minha cabeça, eu achava que pessoas com a síndrome poderiam ser descontroladas e agressivas. Mas graças a Deus o Lucas veio só para somar e melhorar. O Lucas só tem a síndrome, mas ele não tem problema cardíaco, de audição, ele anda, fala e pode correr. A um tempo atrás se pensava que era aquela criança que só ia ficar em casa vegetando. O problema é que há um desconhecimento do que é a síndrome. Um médico me falou uma vez que quem impõe limites é a sociedade e não eles”, afirma.
“Todos eles vão desenvolver o problema da tireoide se não for cuidado desde cedo. E a tireoide sim acarreta o atraso intelectual. A maior dificuldade que eu vejo hoje é a questão da inclusão. A questão do mercado de trabalho, ainda existe o preconceito pelo desconhecimento”, frisa.
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(Diário do Pará)
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