Na mesma linha de risco com incidentes ocasionadas por panes e mau tempo, as aves que voam em altitude elevada ou próximo de aeroportos, também oferecem grande perigo e podem comprometer a segurança de aeronaves, especialmente em áreas onde a concentração delas é grande. É o caso de Belém e da região amazônica.
“O risco é concreto e oferece risco de morte aos tripulantes”, afirmou o tenente-coronel aviador Rubens, assessor de risco da Fauna do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Ele contou que, no mundo, 450 mortes já foram registradas provocadas por acidentes com colisões de aeronaves com aves e animais. Não só em voos, mas no solo também há registros de acidentes quando o local do aeródromo permite o acesso de animais na pista.
De acordo com o Cenipa, as colisões com aves atraídas por resíduos sólidos são altamente repetitivas, não só na capital paraense, mas em todo o Brasil. No país, três mortes já foram confirmadas ocasionadas por colisões deste tipo.
Os acidentes foram com aeronaves de pequeno porte e helicóptero. “A gravidade do incidente é caracterizada pelo tipo de aeronave e seu porte. Um avião de grande porte, é claro, acaba sendo mais resistente a uma colisão. Mas, em agosto do ano passado, um avião da TAM colidiu com um urubu, o que ocasionou a perda de um motor, por exemplo, (um avião opera com dois motores). Portanto, o risco é grande, sim, e o poder público precisa se preocupar mais com o problema”, alertou Rubens.
Segundo a Constituição Federal, o saneamento básico e o parcelamento do uso do solo são atribuições do poder público municipal. Ou seja, tanto a manutenção dos serviços de coleta, limpeza pública, transporte e destinação final de resíduos sólidos como a definição do local onde aterros sanitários podem ser implantados são responsabilidades municipais.
Ainda segundo o Cenipa, as colisões com fauna trazem sérios problemas à aviação brasileira: anualmente, os prejuízos médios superam US$ 10 milhões. Isso sem mencionar a possibilidade da ocorrência de acidentes aeronáuticos com mortes, a bordo de aeronaves e no solo, em decorrência de eventos envolvendo urubus-de-cabeça-preta, garças-vaqueiras e outras aves atraídas pelo lixo exposto.
NÚMEROS
Somente em 2013, o banco de dados do Cenipa registrou 48 colisões ocorridas no Aeroporto de Belém. Em Marabá: 16 batidas e em Santarém, 4. No Brasil inteiro, foram 4,6 mil relatos dessas colisões.
ACIDENTES
Em 23 de agosto do ano passado, um avião da TAM perdeu um dos motores ao colidir com um urubu-de-cabeça-preta durante um voo. Como o avião de grande porte é preparado para operar com apenas um dos motores, o voo prosseguiu normalmente e fez o pouso sem maiores alterações no Aeroporto de Belém. Acredita-se que nem houve a necessidade de informar os passageiros sobre o incidente.
Um dos acidentes provocados por colisão com aves mais famosos aconteceu em janeiro de 2009, em Nova York. O avião, um Airbus A-320, havia decolado do aroporto de La Guardia com o voo 1549 com destino a Charlotte, na Carolina do Norte. Segundo a US Airways, havia 150 passageiros e cinco tripulantes.
Após a colisão, foi realizado pouso de emergência nas águas geladas do rio Hudson, em Manhattan, Nova York, por isso o caso ficou conhecido como “o milagre de Hudson”. A FAA investigou relatos de que o avião teria atingido gansos em revoada ao decolar do aeroporto La Guardia.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar