Já avisados sobre a greve dos professores que inicia oficialmente a partir de amanhã, alunos de escolas públicas estaduais se preocupam com um possível atraso no ano letivo que teve início há menos de 15 dias. Apesar da preocupação, muitos dizem entender a motivação dos professores e também clamam por mudanças.
Aluno do terceiro ano do ensino médio, o estudante Luiz Timóteo não esconde o receio de que a greve se prolongue e, com isso, acabe atrasando o ano letivo que, para ele, deve ser encerrado com o vestibular. Avisado na manhã de ontem sobre os motivos que levaram os professores a deflagrarem greve na rede pública de ensino do Estado, porém, ele acredita que a luta por melhorias não é só da categoria, mas pelos alunos também.
“Os professores reuniram os alunos do ensino médio e do ensino fundamental e explicaram porque eles resolveram fazer a greve”, lembra. “A gente fica preocupado, né? A gente sabe que talvez esse não seja o melhor momento pra fazer greve - as aulas começaram no dia 9 de março - mas também sabemos que não é culpa deles. Eles estão brigando pelo direito deles e pelos nossos também”.
Dentre os direitos que o estudante gostaria de ver assegurados está o de ter aula de educação física regularmente. Segundo ele e outros alunos da Escola Estadual David Salomão Mufarrej, localizada no bairro da Cidade Velha, a quadra da escola está em reforma há aproximadamente três anos.
“Não tem aula de educação física na escola há três anos porque a quadra foi ‘derrubada’ pra reforma e nunca reformaram”, aponta. “Então a gente sabe que a escola precisa melhorar também”.
Aluna do primeiro ano do ensino médio na mesma escola, a estudante Alessandra Braga conta que os alunos enfrentam problemas até mesmo com a merenda escolar.
“Aqui falta até merenda. Tem dias que não tem merenda. A moça que faz a merenda tem que passar em sala pedindo que os alunos colaborem trazendo uma cebola, um tomate pra ela poder fazer o tempero porque não tem”, afirma.
“A melhoria que precisa é de todos os lados. Precisa melhoria pros professores, pros alunos”.
No portão de entrada da Escola Estadual General Gurjão, também na Cidade Velha, um adesivo já avisava pais e alunos sobre a interrupção nas aulas que deve começar a partir da próxima quarta-feira: “Estamos em greve”.
Cientes da decisão desde a última assembleia da categoria, realizada na última sexta-feira, a manhã de ontem foi aproveitada pelos professores para avisar não apenas os alunos, mas toda a comunidade escolar.
Na Escola General Gurjão, segundo alguns professores, foi informado não apenas que as aulas seria suspensas em decorrência da greve, mas também os motivos que levaram a categoria a tomar tal atitude.
Em nota, a Seduc esclarece que será aberto, em breve, novo processo licitatório objetivando uma reforma geral da Escola Estadual “David Salomão Mufarrej”, no bairro da Cidade Velha.
A secretaria informa ainda que o processo de fornecimento de merenda escolar na “David Salomão Mufarrej” é todo ele regularizado, de forma a atender ao alunado durante as atividades pedagógicas na escola.
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