O sonho de garantir um futuro mais digno através do esporte é o objetivo do projeto social Escolinha de Futebol Ratatá F.C, desenvolvido no distrito do Outeiro, em Belém. Realizado há três anos, o projeto ensina 80 crianças e adolescentes de 8 a 17 anos de idade, todos de baixa renda, a jogar futebol e a desenvolver o espírito de cidadania por meio da atividade esportiva.
Em um bairro que tem como referência a violência urbana, as crianças aprendem a jogar futebol e ainda participam de palestras educativas sobre solidariedade, família e prevenção às drogas.
Longe das dificuldades sociais que as separam de casa até o humilde campinho de futebol, localizado em uma praça, na Praia do Amor, crianças e adolescentes aprendem a fazer do esporte uma motivação para um futuro melhor.
O coordenador do projeto, Alex Martins, afirma que a pequena arena é um espaço de lazer e aprendizagem. “Aqui sou treinador, amigo e até psicólogo. A gente se considera uma grande família”, diz ele. O jovem Jonas Moraes, de 19 anos, é portador de paralisia infantil e teve que parar de estudar no quarto ano do ensino fundamental por causa de bullyng. Ao contrário do ambiente escolar, no campo de futebol ele encontrou amigos, desenvolveu a paixão pelo futebol e nunca mais de sentiu excluído do convívio social. “Na escola, eu era discriminado, aqui o que eu mais gosto é de jogar futebol e de interagir”, afirma Jonas.
Apesar da importância da iniciativa, o projeto sofre com a falta de apoio. O terreno onde funciona a arena foi doado pela agência distrital do Outeiro, mas o local funciona de forma precária.
A rede de proteção da arena foi doada pelos pescadores e é sustentada por açaizeiros. Os postes e as luminárias foram comprados com doação dos moradores.
As despesas do projeto com manutenção da arena, compra do uniforme e das bolas são arcadas com a realização de rifas e com dinheiro do próprio Alex, que sobrevive com a revenda de gás.
Segundo ele, o projeto nunca recebeu apoio da Prefeitura de Belém ou do governo do Estado, apesar das inúmeras tentativas de audiências, todas em vão. Segundo o coordenador, os principais problemas estruturais são a construção de um alambrado ao redor da arena, a doação de areia e principalmente iluminação.
“O projeto é um trabalho para ter apoio das autoridades. A violência no bairro é muito grande e, se a gente não fizer nada pelas crianças agora, elas vão crescer, vão roubar e até matar, como tantas outras”, alerta Alex.
(Diário do Pará)
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