Em 1 de abril de 2014, ironicamente o Dia da Mentira, a Agência Pará, a central de divulgação do Governo, afirmou, com base em informações da Secretaria de Transportes (Setran), que a retirada das “línguas” de concreto da ponte do Moju começaria, “no máximo”, em 40 dias.
Segundo a Setran, o Governo já havia até contratado para isso a empresa Manobrasso Serviços Marítimos Ltda. No dia 3, os técnicos apresentariam um “plano estratégico” de ação.
A previsão era usar um guindaste flutuante chamado cábrea (utilizado em portos para içar estruturas pesadas), que viria do Rio de Janeiro para Moju e chegaria em 20 dias.
Já em 9 de abril, a Agência Pará informou que a empresa contratada pelo Governo não era mais a Manobrasso, mas, a multinacional Tomiasi Logística Pesada, de Manaus, que traria, dentro de dez dias, um equipamento para retirar as “línguas” de concreto.
Segundo a Setran, os engenheiros da Tomiasi já até elaboravam o “plano operacional”. Mas, em 30 de abril, a Agência Pará informou que nem Manobrasso nem Tomiasi se encarregariam das obras, devido a dificuldades para deslocar seus caríssimos equipamentos.
Mesmo assim, a Setran afirmava que os serviços começariam em 1 de maio, ou seja, no dia seguinte, e que havia decidido primeiro reforçar, através de um escoramento, as estruturas da ponte, para só então retirar as “línguas”.
E NADA SE FEZ
Em 15 de maio, a Agência Pará informou que o canteiro de obras já estava montado e que os serviços haviam começado no dia anterior (ou seja, 14 dias depois do anteriormente anunciado).
A previsão era que as “línguas” fossem retiradas 45 dias após o escoramento. Dois guindastes já estavam no local, para cravação das peças que reforçariam a ponte.
Em 12 de julho, a Agência noticiou que a primeira etapa da recuperação da ponte já estava em fase final. “O cronograma da obra já atingiu 95%, em relação a primeira torre de apoio que dará suporte às estruturas metálicas da ponte”, afiançou.
Ao mesmo tempo, já havia começado o cravamento de uma segunda torre metálica. Após a conclusão das duas torres, as obras entrariam em uma “segunda fase”, na qual as “línguas” seriam retiradas, para reconstrução do pilar e da pista. As obras, garantia o Governo, seguiam em ritmo acelerado. Em 29 de julho, a previsão era que a ponte voltasse a funcionar até o final do ano.
Em 27 de agosto, a Agência Pará volta a noticiar o “avanço” das obras, que entrariam na segunda etapa em setembro. “Nesta fase, que é um dos procedimentos finais, será construído um novo pilar para substituir o antigo (...)” escreveu.
Mas o primeiro passo nessa segunda etapa, explicou a Setran, seria a retirada das benditas “línguas”. Para isso, já havia duas estruturas metálicas, com capacidade para 320 toneladas.
No dia 25 de setembro, ou seja, pouco antes do primeiro turno das eleições, a informação da Agência era que os serviços estavam entrando na última etapa e que seriam finalizados até dezembro.
A Paulitec, que vencera a licitação para a reconstrução da ponte, iniciaria o trabalho dentro de 15 dias. A Agência só “esqueceu” de dizer que o contrato 60/2014 da Paulitec, publicado no Diário Oficial do dia anterior, 24, já previa o término da vigência (ou seja, o fim do prazo de execução dos serviços) para 15 de fevereiro de 2015.
(Diário do Pará)
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