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Jatene preferiu gastar em propaganda

É uma história impressionante, que mistura inversão de prioridades com mentiras em série. No ano passado, o Governo Jatene liberou para a reconstrução da ponte sobre o rio Moju, na Alça Viária, apenas R$ 2,175 milhões para analisar e propor soluções para

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É uma história impressionante, que mistura inversão de prioridades com mentiras em série. No ano passado, o Governo Jatene liberou para a reconstrução da ponte sobre o rio Moju, na Alça Viária, apenas R$ 2,175 milhões para analisar e propor soluções para recuperar o vão destruído.

No mesmo período, os gastos em propaganda de Jatene atingiram mais de R$ 33,8 milhões, sem contar as despesas de vários órgãos da administração indireta, entre eles o Banco do Estado do Pará (Banpará), que possui milionária conta de publicidade.

Isso significa que o dinheiro investido em propaganda até junho do ano passado, que teve que ser interrompida por força da lei eleitoral, daria para fazer a obra e restabelecer o tráfego de veículos na região, atendendo a milhões de pessoas que vivem na região estratégica para a economia paraense.

Mais: enquanto o Governo Jatene afirmava que as obras avançavam “celeremente” e que estariam concluídas em dezembro do ano passado, o portal da Transparência e os diários oficiais do Estado contavam outra história: elas caminhavam a passo de jabuti.

Exemplo: os R$ 2,175 milhões liberados, no ano passado, para a reconstrução daquela ponte correspondem a menos de 5% do que serão pagos às empresas que executam os serviços: Paulitec, Paulo Brígido e Paulo Barroso Engenharia.

Pior: agora em 2015, nada indica que as obras avançarão mais rapidamente, de forma a cumprir o mais recente prazo do governo para a conclusão dos serviços: janeiro de 2016. No caso da Paulitec, responsável pelas obras de engenharia, só foram pagos, neste ano, pouco mais de R$ 637 mil, um valor irrisório para o custo da obra que ultrapassa R$ 37,8 milhões.

VIA CRÚCIS

No último dia 23 de março, centenas de manifestantes se reuniram às proximidades da ponte, para marcar o primeiro “aniversário” do acidente que transformou em um pesadelo a vida de quem precisa atravessar o rio Moju.

Foi em 23 de março de 2014 que uma balsa carregada de óleo colidiu com um pilar daquela ponte, provocando a destruição dele e a ruptura do leito de concreto – dois trechos da pista ficaram pendurados, formando as chamadas “línguas”, que ainda permanecem lá um ano depois, apesar de a reconstrução só poder começar, efetivamente, depois que forem retiradas.

O acidente chamou a atenção para as deficiências da Alça Viária, da qual faz parte a ponte do Moju. A Alça foi inaugurada em 2002, com pompa e circunstância, pelo ex-governador tucano Almir Gabriel, hoje já falecido. E, com o acidente, descobriu-se que seus pilares não possuíam defensas, ou seja, estruturas de concreto ao redor, para amenizar impactos.

O acidente também trouxe de volta o martírio de depender de balsas para cruzar o rio. São filas intermináveis, nas quais penam, principalmente, os cidadãos mais frágeis: deficientes físicos, grávidas, idosos, mulheres com crianças de colo. Além disso, o tempo de viagem entre Belém e um município do Sudeste do Pará, por exemplo, aumentou em até cinco horas.

Pior se a pessoa estiver doente e precisar se deslocar rapidamente a um hospital: o tempo que perderá ali pode fazer diferença entre a vida e morte. Daí os protestos da população, no dia 23, inquieta com uma obra que parece não avançar.

Mesmo assim, no dia 21, o governador Simão Jatene publicou postagem, no Facebook, apontando tentativas de “aproveitamento político” da insatisfação popular. O certo é que parece ter sido Jatene quem se aproveitou da população, na campanha eleitoral do ano passado, ao prometer seguidamente que a obra estaria concluída em dezembro.

LEIA MAIS:

No Dia da Mentira, o pontapé para adiamentos das obras

Novo prazo joga o fim da obra para janeiro de 2016

(Diário do Pará)

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