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Superbactérias já são ameaça global

Já classificada como “ameaça global”, em relatório produzido pela Organização Mundial de Saúde, a resistência de bactérias à ação de antibióticos constitui-se hoje numa das maiores preocupações da comunidade científica de todo o mundo. A OMS analisou dad

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Já classificada como “ameaça global”, em relatório produzido pela Organização Mundial de Saúde, a resistência de bactérias à ação de antibióticos constitui-se hoje numa das maiores preocupações da comunidade científica de todo o mundo.

A OMS analisou dados de 114 países e chegou à conclusão de que a resistência está ocorrendo “em todas as regiões do planeta”. A organização considera que a humanidade está caminhando rumo a uma “era pós-antibiótico”, em que pessoas poderão morrer de infecções hoje consideradas simples e que são tratadas há décadas.

A questão voltou a suscitar debates mais inflamados no meio acadêmico do Pará, incluindo a comunidade médica e a área mais voltada para a engenharia ambiental, depois que uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal (UFPA) detectou a contaminação por bactérias resistentes dos mananciais de Belém.

O estudo, que vem sendo desenvolvido pelo Laboratório de Genômica da universidade, juntamente com o Programa Pesquisador Visitante Especial, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), detectou a presença das chamadas superbactérias nas águas dos lagos Bolonha e Água Preta.

Para o professor Haeliton Antônio Arruda Andrade, mestre em Ciências Ambientais, os relatos sobre a descoberta de novas superbactérias, sobretudo ao longo dos três últimos anos, mostram que essa não é, afinal, uma realidade tão distante de nós e que requer uma discussão séria.

No caso específico da contaminação dos mananciais do Utinga, ele chama a atenção, principalmente, para a desordenada ocupação humana em toda aquela área.

O descaso com os recursos hídricos, segundo ele, representa uma ameaça potencial muito grave, na medida em que deixa os mananciais expostos a diferentes tipos de processos degradantes, incluindo lançamentos de efluentes domésticos e residenciais.

Outra questão preocupante, segundo Haeliton Arruda, diz respeito ao emprego de antibióticos em animais. Há mais de meio século, conforme frisou, tornou-se um procedimento rotineiro, em todo o mundo, a adição de baixos níveis de antibióticos nos alimentos de gado e aves.

Essa medida é adotada com o objetivo de promover o crescimento mais rápido dos animais e para prevenir infecções que tendem a ocorrer quando eles são amontoados às centenas ou milhares em condições inadequadas de salubridade.

O uso intensivo e muitas vezes desnecessário de antibióticos nas propriedades rurais, segundo Haeliton Arruda, é hoje considerado pela comunidade científica um dos principais fatores responsáveis pelo aumento das bactérias resistentes aos antibióticos, o que faz com que esses microrganismos se tornem uma crescente ameaça à saúde pública.

Acontece que, quando utilizadas em excesso em animais saudáveis, as drogas produzidas com os mesmos princípios ativos se tornam menos eficazes quando utilizadas pelos médicos no tratamento de doenças em humanos, como pneumonia, faringite e infecções de ouvido, entre outras.

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PREVENÇÕES

O relatório da OMS admite ainda que, se as coisas se mantiverem no ritmo atual, dentro de mais alguns anos as pessoas voltarão a morrer de infecções comuns e ferimentos simples, como acontecia no passado.

Segundo o documento, é preciso que sejam tomadas medidas urgentes no sentido de aumentar os esforços de prevenção às infecções e de mudança da forma como são produzidos, prescritos e utilizados os antibióticos. “Sem isso, as consequências serão devastadoras”, afirma o relatório da OMS.

RESISTÊNCIA

O problema das superbactérias ganha proporções assustadoras, de acordo com o pesquisador paraense, quando se leva em conta a escala de utilização desses medicamentos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um país conhecido pela confiabilidade de suas estatísticas, aproximadamente 80% dos antibióticos lá produzidos são empregados não no tratamento de humanos, mas na prevenção de doenças em animais.

E o que é pior: 83% dos antibióticos são administrados em rebanhos ou plantéis inteiros, o que inclui obviamente um grande número de animais também sadios. Isso ajuda a explicar a presença crescente, revelada em estudos mais recentes, de microrganismos resistentes em carnes e aves.

(Diário do Pará)

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