Professores da rede pública estadual, em greve há 15 dias, fizeram uma passeata ontem pela manhã para que o governo do Estado acate as reivindicações da categoria.
Eles se concentraram na entrada do Conjunto Satélite e saíram em passeata para o prédio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) na avenida Augusto Montenegro, em Belém.
Com pneus e madeiras, eles bloquearam as duas faixas da via pública, ateando fogo na rua, e somente depois de duas horas eles liberaram a avenida.
Mas houve muita tensão entre os professores e a Polícia Militar. Sprays de pimenta foram usados para conter a entrada de professores, o que revoltou a classe.
“O governo tentou desmobilizar o nosso movimento, desmarcando nossa reunião, agendada há 15 dias. Ele colocou policiais militares para nos receber como se fôssemos uma quadrilha que ia dilapidar o patrimônio público, mas, pelo contrário, nossa luta é pela qualidade da educação”, observou Alberto Andrade.
Doze mil trabalhadores da educação de 104 municípios estão em greve, segundo estimativa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp).
As condições de trabalho e de qualidade na infraestrutura das escolas também são problemáticas comumente enfrentadas pelos profissionais da educação em cidades do interior do Estado.
“As reivindicações são as mesmas de profissionais de Belém ou até mais agravantes por estarmos mais distantes do olhar da administração pública. A nossa realidade é cruel. A estrutura das escolas podem pegar fogo; a sujeira toma conta das escolas; faltam professores para atuar em sala de aula. Você vê a falta de infraestrutura, a falta de material de apoio para o pessoal que trabalha na secretaria das escolas. Em Jacundá, nós estamos com a nossa lotação já comprometida porque falta inclusive a mão de obra para a secretaria da escola”, enumerou Cirlene Cabral, coordenadora estadual e regional do Sintepp sudeste.
A aceitação de estudantes da rede pública do Estado foi maciça. “Estamos apoiando o movimento grevista porque acreditamos que essa luta dos trabalhadores da educação vem desenvolvendo é uma luta em defesa da educação, porque o que nós observamos nas nossas escolas públicas são laboratórios sucateados, uma falta imensa de trabalhadores e nós não podemos achar que essa luta é somente deles”, disse José Júnior, coordenador nacional dos estudantes em ensino técnico.
“E nós estudantes estamos aqui para fortalecer e engrossar algumas pautas desses trabalhadores, como é o caso de concurso público para professores, por um ensino técnico de qualidade, por mais condições de estudo, por permanência dos estudantes, principalmente, porque só assim teremos uma formação adequada que não só capacite para o mercado de trabalho, mas para a nossa vida”, complementou.
(Diário do Pará)
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