"A nossa cidade é toda bonita. É um lugar tranquilo, acolhedor. É terra de se viver", afirma Aurecília da Silva Andrade, de 64 anos. Ela nasceu e foi criada no município de Juruti, região do Baixo Amazonas, que completa 132 anos nesta quinta-feira (09).
Os moradores do município lembram que a luz elétrica da cidade só funcionava até as 22h, no início da década de 1990, e que havia apenas três ou quatro ruas asfaltadas.
"Eu sou professora e lecionava no período noturno", relembra Aurecília. "Naquele tempo as aulas acabavam cedo, porque a luz, que já era fraca, ia embora depois de certa hora."
Por iniciativa da própria Aurecília, na Escola Estadual Américo Pereira Lima, onde ela lecionava, surgiu um dos grupos folclóricos que hoje é referência em Juruti e no Pará: a tribo Muirapinima, que compete com a tribo Munduruku no Festival das Tribos Indígenas de Juruti (Festribal).
As apresentações das tribos ocorrem desde 1993 - com a Munduruku - e 1994 - quando surgiu a Marapinima - e atualmente é um dos eventos que movimenta o turismo da região.
"Isso tudo começou na escola e se tornou o grande festival que é hoje. Era apenas uma brincadeira de arraial para arrecadar fundos e lajotar as salas de aula", conta Aurecília.

Além do Festribal, o município possui outros símbolos que ressaltam a forte cultura indígena que permeia a cidade, como as danças e a gastronomia.
"Hoje há um resgate de danças antigas, como a dança Tucunaré e a dança do Boto", explica uma das criadoras da página no Facebook "Juruti Pará", Marlena Soares. "A culinária de peixes como o Tambaqui e o Acari também é muito forte."
A fanpage é abastecida com fotos e textos sobre a cultura de Juruti. Para Marlena, o município é uma "cidade em ascensão", que ainda se acostuma a diversas transformações iniciadas desde a instalação da mineradora Alcoa no local, entre 2000 e 2005.
Atualmente, Juruti recebe pessoas de diversas regiões do Brasil e do mundo, sendo referência para o turismo e economia da região. Mesmo com as mudanças e a expansão, a afetividade do povo ainda se mantém e é o principal atrativo do município para Marlena.
"O que considero mais importante em Juruti são as pessoas. É uma cidade pequena, onde todos se cumprimentam. Cada uma vai passando e dando 'bom dia' e 'boa tarde' pelas casas. São o calor humano e o carinho que trocamos na rua, principalmente, que fazem Juruti ser uma cidade boa para morar. Quem dá sentido à vida aqui são as pessoas", conclui a moradora.

(Hélio Granado/DOL)
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