Um dos maiores municípios do Pará, São Félix do Xingu completa 115 anos de fundação nesta sexta-feira (10). Entretanto, sua história começa bem antes, há cerca de 9.500 anos, quando a área era habitada apenas por povos indígenas, em especial as tribos Araras, Assurinis e Caiapós.
Segundo o Museu Paraense Emílio Goeldi, os indígenas dominavam o território até o período da colonização, quando os primeiros conquistadores chegaram na região e entraram em conflito com as tribos.
Esses conflitos seguiram até 1900, quando um grupo liderado pelo coronel Martins Jorge iniciou a primeira colonização efetiva da região, criando um pequeno acampamento em uma ilhota, batizada de Ilha São Félix, em homenagem à São Félix de Valois, acontecimento que foi reconhecido posteriormente como a data de criação da cidade.
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(Foto: Agência Pará)
Atualmente, apesar de grande parte desses povos terem sido exterminados, aproximadamente metade da área do município é formada pelas áreas destinadas aos povos nativos.
A comunidade, inclusive, desenvolveu-se principalmente através do extrativismo, até que, com o advento da borracha, seringalistas chegaram a região e incentivaram a nova atividade econômica na área.
Já a localidade, que até então pertencia ao município de Xingu (hoje Altamira), cresceu e, em 1936, conseguiu sua emancipação. Mas durou apenas dois anos, quando passou a fazer parte do distrito de Novo Horizonte. A segunda emancipação política só ocorreu em 1961, quando finalmente recebeu o status de município.
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Foto: Agência Pará
NOVOS TEMPOS
Desde então, São Félix do Xingu vem se desenvolvendo, principalmente com o extrativismo vegetal, uma herança da colonização, e da pecuária, que ofertou destaque nacional ao município.
“Lembro que quando era mais jovem via um ‘mundão’ de pasto nas fazendas. Era muito boi mesmo. Pra quem não tinha pena de se esforçar, trabalho não faltava nas fazendas”, conta Natalino Dias, de 51 anos, maranhense que passou a infância no município. “Sai do interior para ajudar os meus filhos na faculdade, mas gosto de lembrar do que vivi lá. Aquela cidade foi muito importante na minha vida.”
A atividade cresceu tanto que, em 2011, a cidade foi considerada o município com o maior número de cabeças de gado do Brasil. Entretanto, a queima de floresta nativa para a formação de pasto também trouxe o status de município entre os principais desmatadores do país.
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Foto: Agência Brasil
Querendo reverter a situação, diversas organizações começaram a atuar juntas para diminuir o corte de árvores na cidade, que já em 2013 conseguiu entrar na lista do Ministério do Meio Ambiente dos locais com menor desmatamento no ano.
O caminho ainda é longo, mas São Félix do Xingu é uma cidade que já mostrou sua determinação e que, quando quer, corre atrás e faz acontecer.

(Gustavo Dutra/DOL)
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