Esse não é o primeiro escândalo a envolver o sobrinho do governador, que também é filiado ao PSDB e coordena as campanhas eleitorais dos tucanos em todo o Nordeste do Pará. Eduardo Salles é sócio da Valle Empreendimentos na construção de um badalado condomínio em Castanhal, o “Salles Jardins”. Pelo menos até 2013, a Valle Empreendimentos tinha como sócio majoritário o empresário Carlos Antonio Vieira, acusado de ser um dos mandantes dos assassinatos do advogado Jorge Pimentel e do madeireiro Luciano Capaccio, em março daquele ano, em Tomé-Açu.
Outro escândalo envolveu o empresário Washington Luiz Antunes Nóbrega, ligadíssimo a Eduardo e integrante do diretório do PSDB de Castanhal. Em maio de 2013, Washington foi afastado da gerência do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) naquele município, sob a acusação de pertencer a uma quadrilha que fraudava carteiras de habilitação em vários municípios paraenses. Desde agosto de 1996 e pelo menos até fevereiro de 2013, Washington foi sócio majoritário da Engecon Construção Ltda, empresa que funcionava no galpão de uma das fazendas de Eduardo, na avenida Barão do Rio Branco, 1800, em Castanhal.
LIGAÇÕES
Entre 2000 e 2004, ou seja, no segundo governo de Almir Gabriel e no primeiro de Jatene, a Engecon faturou R$ 3,5 milhões em contratos com as secretarias estaduais de Transportes (Setran) e de Ciência e Tecnologia (Sectam). Washington também foi preposto (representante) de Eduardo em processos trabalhistas ajuizados por vaqueiros da fazenda Alvorada, de propriedade do sobrinho de Jatene, em Inhangapí. Além disso, Washington e a Engecon chegaram a figurar como locadores de um prédio à Polícia Civil, que, na verdade, pertencia a Eduardo e aos pais dele. Em alterações contratuais posteriores, o sobrinho de Jatene acabou assumindo que era o verdadeiro locador daquele imóvel.
Em 9 de fevereiro deste ano, diz o site da Receita Federal, a Engecon Construção foi “baixada” (cancelada) por “omissão contumaz” (ou seja, reiterada falta de apresentação de declarações de renda e de demonstrativos contábeis). No processo 0012269-17.2013.8.14.0401, que tramita na Vara de Combate ao Crime Organizado de Belém, Washington é acusado de corrupção passiva e formação de quadrilha. Em depoimento à polícia, uma examinadora do Detran disse que tinha de fornecer para ele uma “cota semanal”. Washington havia sido nomeado gerente regional do Detran em abril de 2011.
(Diário do Pará)
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