A região metropolitana de Belém tem se tornado uma verdadeira ilha de empreendimentos inacabados e que causam prejuízos a milhares de famílias que não conseguem realizar o sonho de ter a casa própria. O município de Ananindeua lidera com folga essas ocorrências. Depois do caso do empreendimento Città Mariz, da incorporadora PDG, localizado no quilômetro 12 da rodovia BR-316, denunciado pelo DIÁRIO na última sexta-feira, com a entrega atrasada há dois anos, surge agora mais um exemplo da falta de respeito das construtoras e incorporadoras com seus clientes.
O condomínio Solar do Coqueiro, lançado pela construtora Ckom, fica na Av. Hélio Gueiros (antiga Rod. do 40 Horas), número 385. O condomínio possui dez torres e por volta de 420 apartamentos. É um empreendimento financiado pela Caixa, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.
O técnico em Mineração Thiago Ribeiro Lima, 29 anos comprou um apartamento no empreendimento em 2011. O prazo de entrega em contrato do imóvel era de 30 de junho de 2013. “Daqui a dois meses farão dois anos que espero pela entrega e isso vem me gerando inúmeros problemas”, coloca.
Na última sexta-feira Thiago esteve na sede da construtora e a gerente técnica de nome Ana Lúcia lhe informou que a empresa está passando por uma fase de reestruturação de setores, inclusive com um novo diretor. Garantiu que a nova gestão fará uma “força-tarefa” para finalizar o acabamento. “A maioria dos apartamentos está pronta, mas ainda há alguns que faltam pintura e outras coisas como ligação elétrica e outros materiais. Porém, ainda saí de lá mais uma vez sem uma previsão ou data de quando vai ser entregue o apartamento”, reclama.
Cansado de esperar, o técnico em mineração entrou na Justiça com uma ação indenizatória por dano moral, dano material e antecipação de tutela pelos prejuízos que acumula. Além da frustração de ver cair por terra vários planos de vida por conta da falta do apartamento, da tristeza de adiar o sonho da casa própria e não ter a oportunidade de realizá-lo, hoje Thiago mora de favor na casa da sua sogra desde o início do seu casamento.
“Tive minha filha sem poder dar uma estrutura e um espaço legal para ela, não tenho a opção de alugar ele (o apartamento) para uma renda extra, pois se eles tivessem entregue na data, com a média de preço de aluguel em torno de R$ 800,00, hoje já teria faturado em torno de R$ 17.600,00. Isso sem contar juros ou correção monetária. Não tenho a opção de adquirir outros bens e outros atrasos que poderiam ser evitados caso já tivesse meu apartamento”, lamenta.
O DIÁRIO tentou um contato na tarde da última sexta-feira com a Ckom para um posicionamento da empresa acerca do atraso na entrega do empreendimento. A telefonista que atendeu a ligação informou que naquele momento (por volta das 17h) não havia como passar o ramal para nenhum diretor da empresa, já que o sistema estava com defeito. A telefonista também disse ser impossível chamar qualquer representante da empresa até a sua mesa para falar com o jornal.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar