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Centro de recuperação precisa de apoiadores

Enfrentando muitas dificuldades para manter-se em funcionamento, o Centro de Recuperação Pão da Vida clama pela ajuda da sociedade em geral e apoio governamental, nas esferas municipal e estadual, para dar continuidade ao trabalho voluntário que já é real

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Enfrentando muitas dificuldades para manter-se em funcionamento, o Centro de Recuperação Pão da Vida clama pela ajuda da sociedade em geral e apoio governamental, nas esferas municipal e estadual, para dar continuidade ao trabalho voluntário que já é realizado há dez anos, voltado para resgatar jovens do mundo das drogas.

O centro que fica localizado no bairro Mirizal, no município de Marituba, Região Metropolitana de Belém, funciona sem uma estrutura adequada, já que sobrevive da boa vontade de pessoas que se dispõem a contribuir de alguma forma, seja com alimentos e/ou quantias em dinheiro. Mesmo assim, atualmente, o centro abriga pelo menos dez pessoas – são todos homens com idades variadas.

O casal Rosimeire Miranda e Fernando Miranda é responsável pelo trabalho desenvolvido no Pão da Vida. Rosimeire conta que a ideia de ajudar dependentes químicos a deixarem o vício partiu de seu esposo, Fernando, que também já foi um usuário de drogas. “Meu esposo é ex-dependente químico e, depois de passar dois anos e seis meses internado em um centro de recuperação em Macapá, ele conseguiu largar o vício. Ele buscou o lado espiritual e disse para Deus que se ele conseguisse ajudaria outras pessoas com o mesmo problema”, conta Rosimeire.

Rosimeire que é de Macapá, no estado do Amapá, disse que conheceu o esposo depois que ele saiu do centro de recuperação. “Ele estava morando em uma igreja da Assembleia de Deus quando o conheci. Depois casamos e viemos embora para cá. Ele já veio com a ideia de fazer esse trabalho, pois viu que foi o que funcionou com ele e hoje está dando certo com outras pessoas. Algumas pessoas são trazidas por familiares e outras nós buscamos na rua, são dependentes químicos moradores de rua”, explica.

DIFICULDADES

Rosimeire conta que o os internos do centro realizam um trabalho dentro do próprio espaço que possui um extenso terreno, fazendo serviços como capinação e plantação. Além disso, eles saem às ruas da cidade levando uma faixa para pedir doações. E todas as segundas, terças, sextas e sábados, ele participam de cultos promovidos por pessoas ligadas a diversas igrejas evangélicas. Aos domingos, os internos recebem a visita das famílias.

As famílias que querem e podem, cooperam com o trabalho da forma que escolherem, sejam doações de cestas básicas e até mesmo quantias em dinheiro. Devido à falta de estrutura, hoje o centro não conta com a ajuda de profissionais como psicólogos. Outro problema são os constantes alagamentos que afetam o local. Um igarapé próximo ao local transborda quando chove forte e alaga todo o espaço, incluindo a casa. Os internos são obrigados a colocar tijolos para levantar as camas.

“Moramos todos juntos. Eu, meu esposo e meus dois filhos dormimos em um quarto, no outro dormem alguns internos e os outros na sala. Tem profissionais que querem ajudar, mas não podem pela falta de um local adequado. Já tentamos conseguir apoio do governo e da prefeitura, mas nunca conseguimos. Estamos pedindo ajuda para legalizar o centro e também pela parte estrutural”, afirma.

SONHO É VOLTAR A TER UMA VIDA NORMAL

Moises de Abreu Sarmento, 47, está vivendo no local pela terceira vez e o seu grande sonho é poder ter uma vida normal, livre da dependência química. “Estava vivendo na rua, jogado, drogado. Meu tio me convenceu e vim para cá. Na primeira vez fiquei um ano, da segunda cinco meses e agora estou há três meses. Tenho quatro filhos lá fora e depois que deixei minha mulher, perdi minha mãe e um irmão. Fiquei desgostoso e tive recaídas. Me sinto acolhido aqui, apesar de ter família lá fora. Mas meu plano é sair daqui limpo e poder voltar a trabalhar”, relata.

Já o jovem Odair José Lopes, 27, conta que a dependência química desestruturou a família. Ele e o irmão se tornaram dependentes químicos em 2007. “Estou aqui há uma semana. Meu pai disse que eu tinha que me tratar para poder voltar para casa. Já estive preso por um ano, pois cometia assaltos para usar droga. Trabalhava junto com meu irmão. Ele tinha um ponto na feira e perdeu tudo que tinha por causa das drogas. Muitas das pessoas que estão na penitenciária é por causa do vício. Tomei a decisão de parar e nenhum pai quer ver o filho perdido”, garante o jovem.

(Diário do Pará)

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