A Fundação Hemopa organizou uma programação especial alusiva ao Dia Mundial da Hemofilia e amanhã (25), estará na Praça Batista Campos com uma equipe especializada prestando serviços aos pacientes. O objetivo é mostrar que a pessoa hemofílica pode conviver normalmente em sociedade, inclusive praticando esportes. Hoje o Hemopa conta com 500 pacientes hemofílicos cadastrados no sistema, sendo que o Brasil possui a 3ª maior população hemofílica do mundo. A hemofilia é uma doença genético-hereditária que se manifesta no sexo masculino, causada pela deficiência de uma proteína da coagulação do sangue, ou seja, a pessoa hemofílica que sofrer um ferimento ou trauma, permanece sangrando. Existem dois tipos, sendo a hemofilia A, a deficiência do fator VIII (oito) e hemofilia B, deficiência no fator IX (nove), caracterizado em leve e grave. A médica hematologista e hemoterapeuta do Hemopa, Ieda Pinto, explica que os sintomas são percebidos ainda na infância. “A criança já nasce com a deficiência. Normalmente a mãe percebe os primeiros sintomas quando a criança começa a andar, porque normalmente cai e surgem os primeiros traumas. Quando ela cai e bate a boca, por exemplo, vai ficar sangrando, porque ele não tem o fator de coagulação. Numa criança um pouco maior, que não tenha o perfil hemorrágico tão acentuado, percebemos esse sangramento dentro da articulação ou quando começa a trocar o dente de leite, que fica sangrando vários dias e muitas vezes tem que ir ao hospital para procedimento médico. Dependendo do histórico, é feito o encaminhamento para o Hemopa e aqui fazemos os testes se realmente é hemofilia e qual a gravidade”, explicou. Ainda de acordo com a especialista, o tratamento para a doença passou a ser eficaz contra sequelas a partir de 2011, quando foi implantado o programa de profilaxia do Ministério da Saúde. “Hoje mudou muito a qualidade de vida das crianças, porque antes com o diagnóstico, a prevenção era pedir cuidado para a criança não andar de bicicleta ou jogar futebol. Hoje a gente diz: ‘pode andar de bicicleta, jogar futebol, mas faz a atividade física no dia da profilaxia’. O mesmo vale para o adulto. Com o tratamento, a pessoa fica protegida e não vai ter um sangramento exagerado e, principalmente, o sangramento dentro da articulação não vai desenvolver sequelas”. Ana Claúdia Mendonça, de 42 anos, é mãe de Adalberto, 18. Ela descobriu a doença do filho aos 7 meses de idade. “Ele bateu a língua, a médica desconfiou que ele era hemofílico e eu nem sabia o que era isso. Daí ela nos encaminhou para o hemopa. Como isso faz tempo, ele teve uma pequena sequela no joelho, por isso anda assim, mas depois que iniciou a profilaxia já melhorou bastante”, afirmou Ana Cláudia, moradora de Mocajuba. Para Adalberto, a vida é a mesma. “Tomo cuidado para não me bater e pratico natação”, afirmou. |
(Diário do Pará)
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