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Famílias são despejadas de área ocupada há 2 anos

Cerca de 120 famílias foram despejadas de um terreno ocupado há dois anos, conhecido como Assentamento Jesus de Nazaré, localizado na estrada da Maracacuera, em Icoaraci, distrito de Belém.A reintegração de posse do terreno cumpriu ordem judicial expedida

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Cerca de 120 famílias foram despejadas de um terreno ocupado há dois anos, conhecido como Assentamento Jesus de Nazaré, localizado na estrada da Maracacuera, em Icoaraci, distrito de Belém.

A reintegração de posse do terreno cumpriu ordem judicial expedida pela juíza Suayden Fernandes Silva Sampaio, em favorecimento à empresa Ipanema Assessoria e Empreendimentos, que se declara dona da área, onde funciona um curtume.

A decisão de desocupação deixou as centenas de moradores sem saber para onde ir. A única certeza foi de ver suas tão sonhadas casas serem demolidas. Os móveis e eletrodomésticos foram levados para caminhões disponibilizados para transportá-los.

A ação contou com a presença de policiais militares da Rotam, Batalhão de Choque e da COE. No entanto, os moradores do assentamento não ofereceram resistência. Apesar disso, eles protestaram contra o governo do Estado, que teria prometido remanejá-los para um novo terreno. “Aqui moram pessoas de bem que ocuparam esse espaço por necessidade e que receberam a promessa do governo de só sairmos daqui quando arranjassem um terreno para nós”, disse Francisco Trindade, representante dos moradores do assentamento.

Ainda de acordo com os moradores, o terreno, antes de ser ocupado, era uma área perigosa com diversas ocorrências de violência. “Fizemos um bem para essa área, que estava abandonada e perigosa para quem passasse por aqui. Temos a certeza que a nossa presença beneficiou o local, já que fez com que a polícia passasse por aqui e trouxesse um pouco mais de segurança”, disse Nilza da Costa, moradora.

O protesto dos moradores foi refutado pelo proprietário do terreno que, por intermédio de um advogado, afirmou que a propriedade recebia atenção dos donos. “Essa ordem judicial foi expedida em fevereiro e os moradores daqui sabiam disso. O cumprimento dela aconteceu hoje (ontem), por direito aos proprietários”, disse Bernardo Morelli, advogado.

A calmaria que pairou durante a desocupação ganhou momentos de tensão envolvendo moradores que entraram e um dos homens que trabalhava na demolição das casas. De acordo com eles, o trabalhador desrespeitava os ocupantes, o que gerou uma confusão que precisou ser contida pela PM, que usou spray de pimenta, além de retirar o homem do terreno.

(Diário do Pará)

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