Aos poucos, os ciclistas estão ganhando seu espaço nas grandes capitais. A legislação protege os gestores das cidades para ampliar novos acessos à modalidade. Por outro lado, falta ainda a população se adaptar a esse novo meio de transporte.
“Não adianta encher a cidade de ciclovia. O importante é fazer terminais de integração de transporte público. Por isso é necessário o bicicletário nas estações e em pontos estratégicos. A cidade tem que receber toda uma infraestrutura. O ideal é serem construídas cliclovias, que a rigor são mais seguras, já que as ciclofaixas os motoristas pouco respeitam”, explicou a professora do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará, Patrícia Bittencourt, especialista em transportes.
“A lei de Mobilidade Urbana ampara políticas para o trânsito, uma vez que haja prioridades para os modos de transportes não motorizados. A legislação federal de abril de 2012 garante segurança juridíca para os gestores na criação de ciclofaixas e ciclovias. O trânsito, na verdade, é uma disputa de interesse. Mas as prioridades são dos ciclistas e pedestres, seguidos pelos transportes públicos. Em Belém, temos um problema cultural. As pessoas não os respeitam”, comentou a professora.
FLAGRANTES
Em uma manhã, a reportagem do DIÁRIO percorreu toda a extensão da ciclofaixa na rua dos Mundurucus até a avenida José Bonifácio. Foram flagradas diversas irregularidades. Os ciclistas dividem seu espaço com os carroceiros, carros que fazem embarque e desembarque de passageiros, pedestres que não andam pelas calçadas, além de motos e até carros que ocupam o lugar das bicicletas. “Andar por aqui é sempre assim. Vemos de tudo na pista, assim é difícil seguir”, disse o ciclista Mário Sobral.
Os moradores também estão insatisfeitos com a faixa. “Temos garagens e carros para colocar dentro delas. Para abrir o portão de casa, é necessário deixar o carro entre a calçada e a pista. Isso é um problema. Já riscaram o meu carro, bateram, reclamaram. Mas não podemos fazer nada”, comentou o autônomo Leonardo Lisboa, morador da rua dos Mundurucus.
Ao longo da ciclofaixa, há consultórios médicos, bancos, escolas, prédios e residências. “O melhor era fazer um espaço para não incomodar ninguém. Não temos segurança em andar aqui. Tem confusão com os moradores, com as pessoas, com o pessoal que vai desembarcar compras de supermercados, com todos”, lamentou o ciclista.
De acordo com a especialista, falta mais respeito. “Deveria haver mais campanhas educativas e fiscalização. As pessoas que moram nesses locais têm e podem entrar nas suas garagens, o que não podem é estacionar na frente de suas casas. Quantos aos carroceiros, em Belém não existe um cadastro deles, por isso não tem como autuá-los”.
CICLOFAIXA
Em Belém, a ciclofaixa da avenida José Bonifácio, que segue da rua dos Mundurucus até a avenida Magalhães Barata, será ampliada até o Santuário de Fátima. Conforme a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), a sinalização já começou a ser feita. Uma equipe de educação já está informando em residências e estabelecimentos comerciais, sobre as mudanças que irão alterar a dinâmica de estacionamento no local. A ciclofaixa também trará outras mudanças na via, como o deslocamento de pontos de táxi para o lado direito. No caso de um grande supermercado localizado na área, para que não seja deslocado o ponto, será construída uma baia com recuo de um trecho da ciclofaixa para dentro da calçada.
(Diário do Pará)
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