De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor varejista do estado do Pará apresentou nos meses de janeiro e fevereiro deste ano um recuo de vendas de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Para o Dia das Mães, a expectativa é de que o ritmo de vendas mantenha uma estabilidade ou apresente crescimento um pouco acima do registrado no ano passado, é o que prevê a Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio) filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
“Infelizmente, diante do cenário atual da economia do Brasil de aumento da inflação, que já está acontecendo, baixo crescimento da economia nacional e de altas taxas de juros, cria-se um cenário de insegurança para o consumidor e isso tem reflexo no volume de vendas no comércio. Pela cultura e importância da data, haverá sim movimento, porém o comércio não está otimista esperando um crescimento extraordinário. A perspectiva é de moderado ou um crescimento pequeno, de 4% a 5% maior que o ano passado”, ressalta a assessora econômica da Fecomércio do Pará, Lúcia Cristina Lisboa.
Levando em consideração dois itens: a intenção de consumo das famílias paraenses e o percentual de endividamento e inadimplência, uma pesquisa realizada nos últimos dez dias do mês de março deste ano pela CNC em parceria com a Fecomércio do Pará mostrou que houve uma queda de 5,2% na intenção de consumo das famílias paraenses. No Brasil, o recuo foi de 6,9%. “As vendas do Dia das Mães não serão de bens duráveis como televisores, entre outros eletrônicos e eletrodomésticos, pois a maioria das compras, 79%, é feita de forma parcelada. E o movimento no comércio não será de valores elevados, já que foi constatado que as famílias estão inseguras em fazer dívidas. A pesquisa diz que 67,5% delas já estão endividadas, 27,5% estão com uma parcela da renda comprometida e 31% das famílias paraenses que recebem mais dez salários mínimos já estão comprometidas com dívidas feitas anteriormente. A média de comprometimento com dívidas a pagar é de cinco meses”, explica a assessora econômica.
CRESCIMENTO
Para alguns lojistas que atuam em um Shopping na Avenida Doca de Souza Franco, a procura por presentes para o Dia das Mães deve melhorar mais a partir do início do mês de maio. “Colocamos a vitrine do Dia das Mães desde o dia 14 desse mês e já estamos vendo resultado. O fluxo está melhor que no ano passado. A vitrine é um chamariz. A partir de amanhã (hoje) vamos fazer promoções para os clientes ganharem brindes. Esperamos um crescimento de 10% em relação ao ano passado”, comemora a gerente de uma loja de artigos para presente e decoração, Ana Paula Oliveira.
Já os clientes aproveitam o período que antecede a data que homenageia as mães para pesquisar os produtos e comprar com mais tranquilidade. “Estou passeando e já pesquisando o que vou comprar. As coisas estão um pouco mais caras, mesmo assim vamos presentear, porque essa data não tem como passar em branco”, frisa a pedagoga Helenice Paiva.
ELEVADOS
Além disso, 65,6% das famílias que ganham mais de dez salários por mês consideraram que o momento atual não está favorável para a compra de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos que, em geral, são ofertados a preços mais elevados.
(Diário do Pará)
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