Uma comissão de vereadores de Belém visitou, na tarde de ontem, o Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti, da 14 de Março, e constatou que pouca coisa mudou desde a última vistoria realizada pela Câmara há dois anos. Depois de três horas de inspeção, a equipe notou a ocorrência de praticamente os mesmos problemas relacionados à infraestrutura e à ausência de humanização.
Foi possível ver, durante a vistoria, um jovem e um idoso internados perto de um homem algemado, em um espaço totalmente inadequado.
Situações degradantes que são agravadas quando envolvem bebês. “Os alimentos dos bebês são preparados em uma mesa velha de madeira sem o menor controle de bactéria. O leite, também de maneira inapropriada, é acondicionado em garrafas térmicas que são doadas pelos próprios servidores”, contou uma das servidoras que não teve a identidade revelada.
Outros problemas também são recorrentes: a empresa terceirizada que entrega as refeições tem atrasado constantemente a entrega, prejudicando a dieta de pacientes que precisam seguir um cardápio
restrito.
A vereadora Marinor Brito (PSol) classificou como aterrorizantes as condições de atendimento, de equipamentos e, especialmente, de humanização do hospital. “Mais uma vez eu volto a fiscalizar o PSM da 14 de Março e saio daqui com a impressão de que a humanização passou longe”, lamentou. Segundo ela, há pacientes em macas duras e sem lençol sendo atendidos nos corredores. Há ainda uma quantidade expressiva de pessoas no acolhimento quando deveriam estar na triagem.
INSPEÇÃO
Durante a inspeção, os vereadores encontraram aparelhos de refrigeração sem funcionar e banheiros em condições degradantes de higiene. Além disso, há apenas três médicos no atendimento geral e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica está sem funcionar devido às reformas do setor. Para a vereadora, Belém está sobrecarregada por não ter um trabalho gerencial e político de prioridade na área da saúde.
Ao contrário do que os parlamentares presenciaram, a direção do pronto-socorro, em conversa com os vereadores, informou que as enfermarias estavam climatizadas, os elevadores e aparelhos de raios x em pleno funcionamento e, ainda, que haveria três equipamentos para a realização de
hemodiálise.
A direção, no entanto, reclamou da superlotação do PSM, que acaba sendo obrigado a atender pacientes do interior do Estado. Mas, para o vereador Dr. Chiquinho (PSol), existe uma pactuação entre Belém e municípios, na qual a prefeitura recebe por esses atendimentos.
Para os vereadores, o que se viu no PSM foram cenas lamentáveis e que colocam em xeque a funcionalidade do hospital. “O primeiro resultado da visita é que isso aqui dificilmente pode ser chamado de hospital. Flagramos profissionais descendo com um cadáver pelas escadas porque os elevadores não funcionam”, criticou Fernando Carneiro (PSol).
Para ele, o serviço público de saúde deveria ser um serviço em que os pacientes não precisassem ir à polícia ou à Justiça para conseguir o beneficio. Carneiro adiantou que os parlamentares vão encaminhar um relatório da visita ao Ministério Público Federal e cobrar providências das autoridades, uma vez que o problema se tornou uma questão de Justiça. A vistoria contou, ainda, com a presença dos vereadores Sandra Batista (PCdoB) e Cleber Rabelo (PSTU).
(Diário do Pará)
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