O acesso à internet em domicílios chegou a 85,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 49,4% da população, segundo indica pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem. Os dados são referentes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013. A pesquisa considerou o acesso de pessoas acima de dez anos de idade que utilizaram a internet pelo menos uma vez em um período de 90 dias anteriores à realização das entrevistas.
Esta foi a primeira vez que a pesquisa do IBGE contabilizou o acesso à internet por outros aparelhos que não fossem computadores e notebooks. Em 2011, ano do último levantamento, registrou-se que 46,5% da população se conectava à rede pelos tradicionais microcomputadores; enquanto o levantamento divulgado hoje aponta uma queda para 45,3%. A pesquisa mostra ainda que 4,1% das pessoas se conectaram à internet apenas por meio de outros dispositivos, como celular, tablet ou a televisão. E nessa modalidade, o Pará desponta como um dos estados em que há a maior disparidade entre acessos à internet por computador e tablete/celular. No estado, o acesso à Internet feito exclusivamente pelo telefone móvel celular ou tablet superou o microcomputador: 41,2% versus 17,3%.
Segundo a pesquisa, dos 31,2 milhões das residências com acesso à internet, 97,7% estão conectados por banda larga e apenas 2,3% por telefonia discada. Considerou-se neste estudo que a conexão banda larga é aquela realizada por meios não discados, através da linha de telefônica, TV por assinatura, rádio, fibra ótica e pela rede de telefonia celular.
A pesquisa mostra um número equilibrado de acesso entre homens (49,3%) e mulheres (49,5%) no país em 2013. Mas a região norte tem um maior acesso por parte de mulheres (40,5) em comparação com os homens (38,6%), enquanto a região sudeste apresenta os maiores índices do país, com 57% dos homens e 56,4% das mulheres. Os dados apontam que 32,4% dos usuários da internet, o equivalente a 27,8 milhões de brasileiros, são estudantes. Destes, 28 milhões estavam na rede pública de ensino ao participarem da pesquisa, enquanto 8,7 milhões estudavam na rede privada em 2013.
Em relação a classes sociais, o estudo mostra que a utilização da internet está ligada à renda familiar per capita. Parte da população com menor renda familiar, até um quarto do salário mínimo por pessoa, tem apenas 23,9% de conexão doméstica à internet. Enquanto isso, as famílias com a maior renda familiar, acima de 10 salários mínimos, têm 89,9% de acesso à internet.
ENQUETE
A equipe de reportagem do DIÁRIO foi às ruas na Região Metropolitana de Belém para confirmar os dados levantados pela pesquisa. A maioria dos entrevistados respondeu que utiliza o celular para acessar a internet devido a facilidade para transportar o aparelho.
O smartphone é preferência para o empacotador Welleson Silva, 20. “Utilizo internet mais pelo celular. Quando preciso buscar alguma informação fica mais fácil”, disse. A cabeleireira Lucidéia Souza compartilha a mesma opinião. “Prefiro o celular porque facilita mais, devido ser móvel, a gente leva para onde quiser. Uso mais para me comunicar com as pessoas como o Facebook e WhatsApp”.
Já o estudante Maycon Fernandes, 18, conta que utiliza o computador tradicional quando precisa fazer algum trabalho. “Tenho computador, só que no momento não está funcionando. Uso o celular para acessar porque é bem mais acessível. O computador é mais para fazer trabalhos. Mas de internet faço tudo pelo celular pela mobilidade”, garante.
Contudo, alguns usuários do mundo virtual ainda preferem utilizar o computador para ter acesso à internet. É o caso da universitária Ana Carolina Lima, 17. “Uso mais o computador mesmo para acessar, porque pelo celular, a franquia de internet é cortada muito rápido”, disse. O servidor público Igor Silva, 30, também prefere o computador aos dispositivos móveis. “Quando é para estudo e trabalho é o computador, é o que utilizo mais. Pelo celular só acesso redes sociais”, afirma.
(Diário do Pará)
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