O espaço onde hoje está localizada a Praça da República já foi um terreno descampado, um imenso armazém para se guardar pólvora e, até, um espaço para sepultar escravos e pobres. Hoje a praça é um cartão postal de Belém. O seu projeto inicial foi criado em 1889, por Justo Chermont, mas na atual gestão municipal, ela está em situação de abandono.
Após a praça sair do papel, no dia 15 de novembro 1897, o monumento central foi erguido através de um concurso para comemoração do primeiro aniversário da implantação do regime republicano no Brasil. Atualmente, a cor original dos 20 metros de altura de mármore de carrara, projeto do escultor Italiano San Sebastiano, foi substituída pela pichação e pela falta de preservação.
Próximo do monumento há mato, lixo e bancos quebrados. A estrutura inferior da estátua, onde estão localizadas as quatro placas em homenagem aos mártires republicanos (Floriano Peixoto, José Bonifácio, Tiradentes e Benjamim Constant), que foram anexadas ao monumento na segunda gestão de Abelardo Condurú, parece que não recebe uma manutenção há muito tempo.
LEMBRANÇA
“Venho caminhar aqui há mais de seis anos. Essa praça não tem nenhuma melhora, ao contrário. Ela ficou bem pior”, lamentou o professor aposentado Edilson Sá, de 71 anos, que hoje lembra a época quando se podia apreciar o monumento.
“Quando éramos crianças, eu e meus irmãos brincávamos aqui no dia de domingo. Andávamos sem medo, sem sentir o cheiro ruim de urina, sem ver um monumento histórico tão destruído. Precisamos de governantes que olhem pelas nossas belezas”, afirmou.
Edilson mora próximo à praça e diz que sente tristeza ao ver cenas de violação do patrimônio público. “Dia de sábado e domingo de tarde se reúnem pessoas para usar drogas e pincham tudo. Eles quebram as cadeiras e no outro dia fica uma imundice. Os homens urinam nas fontes sem medo de nada e de ninguém. Temos até medo de passar por aqui. Esses vândalos destroem e picham tudo que tem na frente”, denunciou.
Quem vai à praça periodicamente e vê o lixo espalhado, calçadas sem pedras, lodo e água suja nos chafarizes também reclama do descaso. “Já vi muitas pessoas caindo aqui. Além da feira do dia de domingo, a Praça da República atrai centenas de visitantes. Por aqui, passam muitas pessoas que moram em Belém e os turistas dos hotéis que ficam aqui próximo. Como paraense, fico até com vergonha de ter uma cidade assim”, disse o taxista Cristiano Rodrigues.
Grama tomada de lixo, os bueiros sem tampas, bancos quebrados, água empoçada e refletores destruídos também compõem o quadro de abandono. “Estamos em frente a um dos principais teatros do Brasil, onde até artistas de outros países fazem apresentação e a prefeitura não vê isso. Se houvesse pelo menos uma pintura e a troca dos bancos já estaria melhor. Pagamos impostos, mas não vemos nem a cor dele”, lamentou a comerciante Rosa Lameira.
A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) e Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) foram procuradas mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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