Após dois dias de júri no Fórum de Belém, o júri composto por sete mulheres condenou a psicóloga Márcia Soares da Silva Nassar, 44 anos, pela morte do marido José Nassar Neto, médico e ex-deputado, assassinado no dia 30 de maio de 1997, em sua casa. A ré cumprirá 25 anos de reclusão, em regime fechado, em uma casa penal do Estado. Na sentença, a juíza Ângela Alves Tuma, que presidiu o júri, concedeu à ré o direito de permanecer em liberdade para aguardar julgamento do recurso de apelação a instância superior.
A decisão foi tomada por maioria dos votos do Conselho de Sentença, favorável à tese da promotora criminal Rosana Cordovil, cujo assistente de acusação foi Osvaldo Serrão: homicídio qualificado por motivo torpe (moralmente reprovável), cuja pena prevista é de 12 a 30 anos.
Em defesa da ré atuaram os advogados Janio Nascimento, Clodomir Araújo e Clodomir Araújo Junior. Os advogados dividiram o tempo na tribuna e sustentaram a negativa de autoria. Um dos argumentos da defesa foi de que a ré não teria motivo para praticar o crime, porque a vítima era um homem que a amava e arcava com todas as despesas dela e da filha, na época com quatro anos de idade. Janio Nascimento declarou na tribuna que recorrerá da sentença, dentro do prazo legal.
O júri de Márcia foi o último dos três julgamento de acusados do assassinato do ex-parlamentar e médico José Nassar Neto. O primeiro condenado foi Benardino Colares Nunes, 20 anos de prisão. Ele confessou ter feito os disparos de arma de fogo contra Nassar na casa da vítima. Bernardino agiu com Francionaldo Dias Cardoso, adolescente na época do crime e que cumpriu medida socioeducativa de internação. Os dois executores confessaram que foram contratados por Márcia e Manoel (esse último, amante de Márcia).
Manoel do Socorro de Melo Barreto, de 41 anos, comerciante, conhecido por Ripa, mantinha relacionamento amoroso com a ré e foi condenado a 17 anos por ter contribuído com planejamento e contratação dos executores, em conjunto com Márcia Nassar. A investigação apurou que Márcia Nassar pagaria R$ 10 mil aos executores e intermediários para matar o marido e passar a receber os benefícios da vítima, como seguro e pensão parlamentar.
O ex-deputado José Nassar Neto foi assassinado por volta das 8h do dia 30 de maio de 1997 no interior de sua residência, no Conjunto Maguari, Distrito Industrial de Icoaraci, perímetro urbano de Belém. Dois indivíduos invadiram a casa da vítima e, após dominarem o caseiro, efetuaram dois tiros de arma de fogo na cabeça.
A polícia apurou, após o homicídio, que os executores fugiram em um veículo VW Pointer, branco, que estava na casa de Nassar. Eles abandonam o carro na Rodovia Augusto Montenegro, a poucos quilômetros do local do crime. Os executores Bernardino e Francionildo Dias Cardoso foram presos logo em seguida, confessaram o crime e apontaram os mandantes.
(Diário do Pará)
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