Observa Carlos Xavier que os Estados produtores das Regiões Sul e Sudeste do país já dispõem de uma estrutura logística própria suficiente para atender às suas necessidades. Quando se fala em gargalo logístico, segundo ele, tem-se que pensar sobretudo nos Estados do Centro-Oeste – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Tanto porque são grandes produtores quanto pelo fato de que, localizados geograficamente em áreas centrais, não dispõem ainda de uma cadeia logística minimamente eficiente.
A saída natural, segundo ele, deve ser necessariamente pelo Pará, onde há múltiplas alternativas, como as hidrovias do Tapajós e do Tocantins e os portos de Santarém e Vila do Conde, para não citar, como possibilidade futura, o terminal marítimo do Espadarte, que, quando – e se – for construído será um dos cinco maiores portos do mundo. O problema, na visão de Carlos Xavier, é que a cadeia logística do Pará padece também ela de deficiências graves. A hidrovia do Tapajós, por exemplo, depende ainda, para seu aproveitamento pleno, do asfaltamento da BR-163.
A hidrovia do Tocantins ficou inviabilizada desde a construção da barragem de Tucuruí, em 1984¸e só foi parcialmente liberada no final de 2010, quando finalmente foi entregue o sistema de transposição do reservatório. Ainda assim – acrescentou –, a hidrovia não consegue se tornar operacional porque permanece pendente de execução o projeto de derrocamento, dragagem e sinalização do rio, especialmente no trecho de 43 km de aflorações rochosas do chamado Pedral do Lourenço, entre Marabá e Tucuruí.
Se isso não bastasse, afirma ainda Carlos Xavier, o setor produtivo já não deposita mais muitas esperanças, em face da submissão do governo às pressões de organizações ambientalistas, na abertura plena da hidrovia Tocantins-Araguaia, que deveria se estender numa extensão de aproximadamente três mil quilômetros desde as proximidades de Brasília até Vila do Conde. Tanto é assim, segundo ele, que grupos empresariais do Pará e do Mato Grosso já começam a se movimentar com vistas à construção de uma ferrovia com traçado paralelo ao dos rios Tocantins e Araguaia e que responderia, no futuro, à movimentação de cargas entre as Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.
A Ferpasa – Ferrovia do Pará S.A. - passaria com seus trilhos também em dois municípios com empreendimentos minerais de grande porte – Paragominas e Rondon do Pará –, ambos voltados para a produção de bauxita e com possibilidades futuras de verticalização da cadeia do alumínio.
(Diário do Pará)
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