De acordo com Carlos Xavier, o Pará saiu na frente com uma iniciativa ousada, o que nenhum outro Estado brasileiro fez: por meio do Projeto Preservar – Desmatamento Zero, a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará e as classes empresariais do Estado propuseram o pacto para consolidação da fronteira aberta. Com isso, o Estado se compromete a explorar economicamente apenas a área de 24% do seu território já alterada pela ação do homem, permanecendo intocáveis os 76% de floresta nativa hoje remanescentes.
Mesmo reduzindo em 11 milhões de hectares a área de pastagens, que seriam incorporados à atividade agrícola, a previsão é de que o Pará, hoje detentor do terceiro maior rebanho do país, com cerca de 22 milhões de cabeças, poderá dentro de alguns anos, mediante a agregação de tecnologia, ascender ao topo do ranking, com um rebanho superior a 38 milhões de cabeças. E mais: sem cortar um único palmo a mais de floresta, o Estado criaria condições para a expansão das áreas de plantio, tanto de floresta quanto de grãos, palmáceas, mandioca, fruticultura (tendo o açaí como carro-chefe), cacau, café, citros, pimenta do reino e biocombustíveis.
Xavier destaca que o Pará tem uma localização privilegiada, em fase dos principais mercados consumidores – da América do Norte, Europa e Ásia –, e dispõe de condições naturais sem similar para a atividade agropecuária, como água em abundância, luz solar e temperaturas estáveis. Tanto – acrescenta –, que em algumas áreas do sul do Estado já estão sendo feitas experiências bem sucedidas com a colheita de três safras por ano.
Apesar de todas essas condições favoráveis, porém, a economia paraense continua enfrentando dificuldades, segundo ele, porque o Estado também apresenta algumas situações que o tornam vulneráveis. São os casos, por exemplo, da questão fundiária e das restrições ambientais . Outros problemas sérios, segundo Carlos Xavier, são representados pela deficiência da cadeia logística e pela carência de base tecnológica. “Nós, da Amazônia, padecemos de insuficiente e deficiente processo de geração e difusão de tecnologias apropriadas e da geração de conhecimento científico”, finaliza o presidente da Faepa.
(Diário do Pará)
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