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Faepa: gargalo logístico emperra Pará

"Os paraenses precisam aprender a conhecer e a admirar o Pará. Um Estado que tem o potencial que o Pará tem não pode se acomodar à pobreza e ao estilo medíocre de vida. Nós precisamos fazer a transformação da realidade social e econômica do Pará através d

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"Os paraenses precisam aprender a conhecer e a admirar o Pará. Um Estado que tem o potencial que o Pará tem não pode se acomodar à pobreza e ao estilo medíocre de vida. Nós precisamos fazer a transformação da realidade social e econômica do Pará através do trabalho e da produção Não há outro caminho. Ou é isso ou é a perpetuação da pobreza, da ignorância e do subdesenvolvimento. Não podemos nos acostumar a ver o povo sofrendo. Para nós, paraenses de nascimento ou por opção, chega a ser doloroso constatar que estão concentrados na ilha do Marajó, aqui tão próximo de Belém, 60% dos municípios mais pobres do Brasil”.

O diagnóstico não é de nenhum político em campanha eleitoral, mas de um empresário que, procedente da Bahia, está radicado aqui há 40 anos, fez-se paraense por opção pessoal e hoje comanda o agronegócio nos 144 municípios do Estado. Carlos Fernandes Xavier, o atual presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) gaba-se, com razão, de ser um profundo conhecedor da realidade econômica e social do Estado. E, em rápidas pinceladas, traça o cenário que, em pouco mais de um século, tem sofrido e vem sofrendo profundas transformações, desde que, em 1895, foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro Belém-Bragança.

Lembra Carlos Xavier que, quando ele chegou ao Pará, no final da década de 1960, o Estado contava com apenas 47 municípios. Hoje, são 144. Ele próprio, na época como deputado estadual constituinte, participou pessoalmente do processo legislativo que resultou na criação de trinta novos municípios. Mais tarde, já como presidente da Faepa e dirigente maior do setor produtivo rural no Pará, coordenou o trabalho de criação de mais de uma centena de sindicatos de produtores rurais. Atualmente, são 131 entidades sindicais atuando, alguns deles também por meio de bases avançadas, em 137 municípios paraenses.

Carlos Xavier lembra que veio transferido para Belém como gerente de um grande banco. Afeiçoado à terra e tendo logo percebido as muitas oportunidades que ela oferecia para novos negócios e investimentos, em pouco tempo deixou o emprego e, numa decisão ousada, decidiu aplicar todas as suas economias – que não eram muitas – na compra de uma área de terras no município de Paragominas, então um núcleo urbano precariamente encravado no meio da floresta. Com trabalho árduo e a ajuda da família, hoje ele mantém naquele município nada menos que quatro propriedades rurais.
Para o atual presidente da Faepa, as pessoas de outras regiões do Brasil, e mesmo muitas daqui mesmo do Pará, reagem com espanto diante da informação de que o Pará tem projetadas, para construção futura, nada menos que 31 usinas hidrelétricas. “Os brasileiros, e mesmo alguns paraenses, não conhecem o potencial fantástico que o Pará tem para a produção de energia”, diz ele. Da mesma forma, conforme frisou, são poucas as pessoas que se dão conta do impacto sofrido pelo Estado, a partir da década de 1970, sob os efeitos da intensa migração interna.

No início da década de 1970, diz Carlos Xavier, o Pará tinha uma população na casa de 2,1 milhões de habitantes. Aplicando-se a esse número o mesmo índice de crescimento médio da população brasileira no período, hoje o Pará deveria ter em torno de 3 milhões de habitantes. Na realidade, porém sua população já está beirando a casa dos 9 milhões. “Chega a ser espantoso. O Pará, em quatro décadas, absorveu o equivalente a duas vezes a sua população de origem exclusivamente de migrantes. Nenhum Estado brasileiro foi tão impactado pela migração como foi e continua sendo o Pará”, acrescenta.

Ferrovia poderá vir antes de hidrovia.

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(Diário do Pará)

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