plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Conheça o dia-a-dia dos catadores no Aurá

Subindo e descendo os montes acidentados, centenas se movimentam. Reviram, remexem, buscam algo de valioso. Não se trata de um garimpo. Estamos no aterro sanitário da Região Metropolitana de Belém, conhecido como o “Lixão do Aurá”. Ainda assim, o cenário

twitter Google News

Subindo e descendo os montes acidentados, centenas se movimentam. Reviram, remexem, buscam algo de valioso. Não se trata de um garimpo. Estamos no aterro sanitário da Região Metropolitana de Belém, conhecido como o “Lixão do Aurá”. Ainda assim, o cenário de despejos e restos apodrecidos que todos os dias Belém descarta é transformado pelos muitos catadores que de lá fazem seu local de trabalho. Assim como garimpeiros, eles buscam não o ouro, mas o lixo, que é tratado como tesouro: pois é justamente dele, daquelas toneladas amontoadas, que eles tiram o sustento.

O aterro sanitário existe há cerca de 25 anos no bairro Santana do Aurá, em Ananindeua. É um vasto terreno formado por montanhas de lixo, que já foi condenado, por não suportar mais despejos, e está em vias de ser fechado. Mas como uma grande empresa, mesmo que informal, reúne 2.232 catadores que lá trabalham diariamente, como empregados de si mesmos. Eles coletam latas de alumínio, aparelhos e acessórios eletrônicos, roupas e até comida.

PECULIAR AURORA

A jornada começa cedo. Ainda é escuro quando muitos deles, homens e mulheres, já estão remexendo o lixo. Mas é com a chegada dos caminhões que descarregam o lixo coletado na cidade que a grande agitação dos catadores começa. A maioria se posiciona bem próximos aos veículos. Com os olhos bem atentos, miram os sacos que ainda estão sendo despejados.

Nesse momento, a desvantagem sobra para quem tem o corpo franzino: no meio do empurra-empurra, perde -se o “melhor” do lixo para os companheiros de maior estatura. A concorrência aumenta com a presença de ratos, cachorros e urubus: num vacilo do catador, lá se vai o alimento coletado por ele num voo alto e rápido. “É assim mesmo. Aqui é a lei dos mais fortes”, sorri o homem.

Em meio a essa briga feroz, a catação parece ser boa para alguns. Eles saem com carroças lotadas de sacolões cheios de lixo. Mas a ida ao lixão foi apenas a primeira parte do trabalho do dia. Eles seguem para seus barracões, onde irão fazer a triagem do que foi coletado. “Estou levando o que foi possível pegar aqui. Agora é separar o que tiver de bom”, detalha Marcelo.

Para outros a coleta foi mais modesta. O suficiente para levar para casa apenas alguns artigos de vestir e calçar. “Essa bermuda aqui não tem nenhum problema. Nem sei por que o dono jogou no lixo. Basta escaldar em água quente e depois tingir. Fica novinha”, diz a catadora Maria de Jesus. “Olha só: dois pares de tênis. A sola está descolada, mas se levar para o sapateiro ele conserta e vai servir para o meu neto”.

PERTO DO FIM

Como todo trabalho, formal ou informal, os trabalhadores do Aurá necessitam da hora do lanche. Os ambulantes faturam, mas para quem não tem dinheiro, a solução para acabar com a fome vem mesmo é também do lixão. Uma garrafa de iogurte com um resto do produto em meio aos entulhos é motivo de comemoração. Uma rápida cheirada na borda, um demorado gole: desce garganta abaixo o pedaço de pão também encontrado no lixo. O mau cheiro segue no ar.

É óbvio dizer que são péssimas as condições de trabalho no lixão. Equipamentos de proteção individual para os catadores? São artigos de luxo. Poucos têm botas, capacetes, luvas. O risco de contaminação é diário, constante. Sacos com material hospitalar, como seringas, curativos e outros produtos são comuns.

Se o lixão do Aurá fosse uma empresa, ela estaria em falência. O motivo é o anúncio da obrigatoriedade de desativação dos aterros sanitários no Brasil, como exige a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei devia ser cumprida até agosto do ano passado. Para a sorte dos dois mil catadores, o adiamento foi estendido a muitos lixões do Brasil, entre eles o do Aurá, e segue indefinido quando virá o fim.

É certo que em breve a lei será cumprida. É como o “aviso prévio” determinado pela legislação trabalhista brasileira. “Essa indecisão preocupa muito a gente. Tiramos daqui nosso sustento e esperamos que a prefeitura pense em nós quando tudo acabar. Em uma solução para que nós tenhamos de onde nos sustentar”, pondera Ana Moraes, presidente da Associação dos Catadores do Aurá. A preocupação é mais uma que embota a rotina subumana desses trabalhadores. O motivo é simples: se é ruim a atual situação, pior será ver fechado o aterro de onde todos os dias tiram o seu sustento.

Confira galeria de fotos sobre o dia-a-dia dos catadores no Aurá.

Confira a especial do DOL "Os horizontes no lixão", que aborda a problemática dos lixões no Pará a partir da realidade do lixão de Castanhal, nordeste do Estado.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!