Os dirigentes empresariais consideram que é chegada a hora de se unirem todas as forças políticas do Estado, independentemente de afinidades partidárias, o setor privado da economia, as entidades representativas dos trabalhadores e mais a comunidade acadêmica para discutir o reposicionamento do Pará no cenário nacional. Essa proposta foi defendida ontem, com o uso de palavras diferentes, pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faepa), Carlos Fernandes Xavier, e pelo presidente da Associação Comercial do Pará, Fábio Lúcio.
O presidente da ACP declarou que não é mais possível aceitar “goela abaixo” as decisões vindas de Brasília ou adotadas unilateralmente pelo governo federal. Fábio Lúcio ressaltou que o tratamento desigual, frequentemente dispensado ao Pará, fere o princípio da unidade federativa e acaba repercutindo negativamente na atividade empresarial, prejudicando igualmente todos aqueles que investem, trabalham e buscam o desenvolvimento econômico e social do Estado.
Considera o presidente da Associação Comercial que o senador Jader Barbalho está certo ao se indignar contra a falta de iniciativa e até mesmo de compromisso do governo federal com a execução do projeto de derrocamento do Pedral do Lourenço, obra vital para garantir a plena navegabilidade no baixo curso do rio Tocantins. “A gente não consegue entender o que acontece com essa obra”, afirmou Fábio Lúcio. Na opinião dele, é preciso que gastem toda a energia possível o Estado e a sociedade paraense no sentido de forçarem a União a realizar sem mais demora o derrocamento.
“Somente a partir daí, com a plena liberação do rio à navegação, nós teremos condições de lutar pela siderúrgica”, afirmou Fábio Lúcio, acrescentando que sem esse suporte logístico será inócua toda e qualquer mobilização voltada para a implantação de projetos siderúrgicos no Pará e, mais especialmente, na região de Marabá.
Quanto à decisão da Vale, de contratar um empréstimo no valor de US$ 2 bilhões junto ao Export-Import Bank, da Coreia do Sul, o presidente da ACP disse ter informações de que esse dinheiro não será aplicado na construção da siderúrgica de Pecém, no Ceará, mas em outro projeto no qual a Vale tem interesse na área industrial do porto cearense. Até porque, disse ele, a siderúrgica de Pecém já está em fase final de implantação e deverá ser inaugurada dentro de pouco tempo, o que significa dizer que ela existiria da mesma forma sem o citado empréstimo.
Para o presidente da ACP, é da lógica empresarial que a Vale invista onde achar melhor, como qualquer empresa, e sob este aspecto não há muito o que questionar em relação ao empreendimento siderúrgico que está sendo implantado em solo cearense. De qualquer forma, ressaltou, é natural que esse tipo de coisa provoque indignação na sociedade paraense quando se considera que, por aqui, as coisas não acontecem e o Pará permanece na condição de mero exportador de matérias primas.
Neste aspecto, ele considera que é compreensível a reação indignada do senador Jader Barbalho, tornada pública na véspera por meio de ofício endereçado à presidente Dilma Rousseff e de pronunciamento feito na tribuna do Senado. “É óbvio que esse tipo de coisa suscita justa indignação, porque enquanto eles lá (no Ceará) constroem uma siderúrgica, nós aqui não conseguimos sequer fazer com que o governo federal faça o derrocamento e com isso libere o rio Tocantins à navegação”, disse ele. E acrescentou: “Nós temos é que nos unir para exigir o derrocamento e outros projetos logísticos. Só assim vamos desfazer as amarras que inibem o nosso desenvolvimento”.
Faepa defende maior produção de conhecimento.
(Diário do Pará)
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