A taxa de desocupação - pessoas que não estão trabalhando e encontram alguma dificuldade em conseguir uma vaga no mercado - do Pará nesse primeiro trimestre de 2015 ficou acima da média nacional e por pouco não bateu o maior índice registrado, o da região Nordeste.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a região Norte registrou 8,7% e o Nordeste 9,6%, somente o Estado ficou com 9,2%.
O percentual nacional ficou em 7,9%. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) afirma que os dados são reflexos da crise econômica que assola o país no momento, mas vislumbra um ligeiro crescimento por aqui graças aos investimentos de R$ 172 bilhões, anunciados na semana passada pela Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), previstos para a indústria paraense até 2020.
SETORES
No 1º trimestre de 2014, a taxa de desocupação no Estado ficou em 7,6%, tendo caído para 7% no último semestre do mesmo ano. O supervisor técnico do Dieese-PA, Roberto Sena, aponta a construção civil, o comércio e a indústria como as frentes que puxam o aumento do desemprego no Pará nesse início de ano.
“Há uma mistura entre a conjuntura, que é de crise, e também há muito de sazonalidade, os primeiros meses do ano compõem um período de pouca empregabilidade”, justifica. “Para a construção civil, é tempo de chuva, as obras não evoluem muito nessa época; o comércio atravessa um período de aumento de preços com a queda do poder aquisitivo, o salário cresceu mas é suprimido pela inflação”, afirma. “A indústria também entrou em um período de dificuldade, de boa produção mas pouca exportação, e isso está acontecendo no país inteiro”, analisa Sena.
Mesmo diante de um cenário delicado, ele acredita que a taxa de desocupação deve se estabilizar de maio em diante, e não descarta a possibilidade de algum crescimento na economia a partir de então. “Estou com os pés no chão ao dizer isso, de que a tendência é que ocorra uma estabilização com os bilhões que serão investidos na indústria até 2020, gerando emprego e desenvolvimento. No ano passado, nós terminamos com saldo positivo de novos postos de trabalho, mas menor do que em 2013. Agora nós temos juros e inflação alta; poder de compra e exportação em baixa. Mas acredito que ainda assim o ano terminará com saldo positivo de empregos”, estima Roberto Sena.
(Diário do Pará)
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