Após o término da greve dos rodoviários, o movimento no comércio de Belém para a compra dos presentes do Dia das Mães se intensificou. Na manhã de ontem, mães e filhos corriam em busca do presente desejado e mais acessível ao bolso.
Nas lojas, poucas promoções. Ao longo da João Alfredo, eram poucas as placas chamativas de liquidações. Os comerciantes sentiram os prejuízos causados pela falta de ônibus na cidade. É neste sábado, 9 de maio, a aposta dos vendedores é para o aumento nas vendas.
O fiscal de uma loja de roupas diz que a greve atrapalhou o movimento na quarta e na quinta-feira. Entretanto, a véspera do Dia das Mães promete tirar os produtos das prateleiras. “A greve atrapalhou até demais. Hoje (sexta) já melhorou um pouco. A gente se preparou e baixou o preço das mercadorias. Hoje (sexta) e amanhã (sábado) já é definitivo para as vendas’’, enfatiza Wefinson Lima, 25 anos.
A gerente Edirene Abreu, 40 anos, conta que contratou mais funcionários à espera de muitos clientes. “Tô achando muito tranquilo o movimento. A greve de ônibus atrapalhou tudo’’. Otimista, ela diz: “Mas temos o resto do dia e amanhã para vender’’.
De acordo com o diretor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), Roberto Sena, não foi apenas a greve que reduziu a ida dos consumidores às compras, mas também os elevados preços dos produtos, devido à inflação.
“Em relação ao ano passado, os juros estão mais elevados e a renda caiu. Os produtos estão mais caros. Estamos chegando no Dia das Mães com uma inflação de quase 9%. Com os preços mais altos, as vendas vão cair. O Dia das Mães, em termo de calendário do comércio, é o principal depois do Natal’’, ressalta.
CUIDADO
A aposentada Sonia Dalva Santana, 68 anos, notou o aumento dos preços depois de passar em quatro lojas, à procura do liquidificador mais em conta. “O liquidificador está caríssimo. Está mais caro que ano passado quando a gente encontrava de R$ 50, R$ 60. E agora só de R$ 70 pra cima’’.
Em uma loja só de bolsas, a autônoma Edna Trindade, de 51 anos, vai direto ao presente, que para ela está caro. “Eu sei do que a mamãe gosta. E é só de bolsa. O preço tá um pouco salgado, R$ 60”, conta.
Roberto recomenda que os consumidores sejam cautelosos. “Olhe, pesquise, e tente comprar o presente que se adeque à realidade. Tem presente pra tudo quanto é lado. O poder aquisitivo caiu porque os preços aumentaram mais. A energia elétrica subiu. Quando os preços sobem mais que os salários, há uma queda do poder aquisitivo. Pesquise, senão vai comprar um bem e pagar por três.”
Boas opções, flores estão mais caras.
(Diário do Pará)
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