Um homem morreu dentro de uma igreja na última sexta-feira (8), no município de Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, após o local ser atingido por um raio. A vítima estava usando o microfone dentro do imóvel quando foi atingido pela descarga elétrica provocada pelo fenômeno natural. O caso foi uma triste fatalidade que apresenta o risco que os raios representam à pessoas desprotegidas.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Brasil registra 100 milhões de raios todos os anos. Muitos deles ocorrem no Pará, que figura no ranking nacional como o quarto Estado com maior número de mortes por este fenômeno meteorológico.
"O Pará está nas proximidades da linha equatorial, contando com muita umidade do oceâno Atlântico e dos rios, além de sofrer forte ação do sol. Tudo isso contribui para a formação das nuvens cumulonimbus, em que as partículas de água se debatem, gerando carga elétrica e os raios", afirmou José Raimundo Abreu, coordenador do distrito do Instituto Nacional de Meteorologia no Pará (Inmet).
A incidência de raios é ainda maior nos períodos de mudança da estação de muita chuva para o período de pouca chuva, nos meses de maio e dezembro. "Nesse período a evaporação é maior, e as formações de nuvens ocorre mais rápido, o que facilita a ocorrência de raios".
Ainda de acordo com o diretor, alguns locais oferecem mais riscos de atrair as descargas elétricas que outros, e o cidadão deve estar atento para prevenir acidentes. "Os raios costumam cair menos em cidades, sendo mais comuns em campos abertos, como fazendas, principalmente quando há algum ponto elevado isolado, como uma árvore solitária. Praias e piscinas também são comuns, porque a água é um bom condutor de eletricidade".
"A pessoa deve evitar se colocar em risco nessas situações. Ao avistar uma núvem bastante escura surgir, ele já pode se prevenir. Não ficar na água, principalmente em praias, piscinas e chuveiros elétricos, evitar campos abertos, não segurar objetos de metal, como facas ou enxadas, e evitar usar aparelhos ligados à rede elétrica, mesmo telefones", afirmou José Raimundo.
"Um raio possui carga de 10 mil watts, e pode dar uma descarga elétrica mesmo em alguém a três ou cinco quilômetros de distância. Ele deve procurar um ponto seguro. Ficar dentro de casa ou do carro é o ideal", completou o diretor.
(Gustavo Dutra/DOL)
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